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Renato Nalini: Jundiaí vai reagir?

JOSÉ RENATO NALINI | 25/10/2018 | 07:30

A Região de Jundiaí tem mais de 500 mil eleitores. Entretanto, só elegeu um parlamentar. Enquanto isso, o ABC elegeu dez deputados. A saber: os federais Vinicius Poit, do Novo, Alex Manente, do PPS, Luiz Carlos Motta, do PR e Vicentinho, do PT. Os estaduais: Barba, PT, Carla Morando, PSDB, Luiz Fernando, PT, Thiago Auricchio, PR, Márcio da Farmácia, Pode, e Coronel Nishikawa, do PSL.

Pode-se dizer que o ABC é maior do que a Grande Jundiaí. Mas São Bernardo sozinha elegeu seis deputados. Diadema elegeu três. O que aconteceu com nossa cidade? É óbvio que estas eleições foram atípicas. O povo abomina a velha política, não quer palavrórios, não quer assistir o programa gratuito de TV. Quem não acreditava na força das redes sociais levou um tombo. Isso tem de ser encarado para as próximas eleições, que serão para Prefeito e Vereadores.

É urgente a renovação dos quadros. Política partidária não é profissão. Um dos pilares da Democracia é a transitoriedade dos mandatos. Há muita gente nova querendo participar e com ideias também diferentes de tudo o que foi rechaçado. Quem quiser um espaço nos Executivos municipais ou no Legislativo das cidades, tem de adotar nova postura. Lutar para que haja mais verdade e menos mentira. Mais trabalho e menos oratória. Propor solução para problemas que não são insolúveis, mas não são enfrentados como devem.

Chamar a sociedade a participar mais. Propor o fim do Fundo Partidário, que só serve para fazer com que tudo continue na mesma. Fiscalizar, cobrar, não perder a capacidade de indignação. Desfraldar bandeiras que precisam ser debatidas na República. A sub-representação de São Paulo, cujos representantes no Parlamento valem menos do que os de Estados que deveriam voltar a ser territórios. Fortalecer os municípios, para que sejam efetivamente entidades federativas e enfraquecer – ou enxugar – a União. Um sorvedouro de recursos financeiros que fazem falta lá na ponta, na casa do pobre, que não tem saneamento básico, não tem saúde, não tem moradia, não tem emprego, não tem educação.

Se o governo central for reduzido, não faltarão recursos para as cidades, que é onde as coisas acontecem. A União, numa República Federativa, tem de ser aquela que oferece os princípios gerais e mantém as agências regulatórias. Não assumir tudo e não conseguir devolver nada. O povo disse “basta”. Quem entender o recado terá chance. Os outros, irão para o ostracismo e nunca mais voltarão.

JOSÉ RENATO NALINI é reitor da Uniregistral, docente universitário, palestrante e autor de “Ética Geral e Profissional”, 13ª ed. – RT-Thomson

Foto: Divulgação

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