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Renato Nalini: Monsenhor Benedito Mário Calazans

JOSÉ RENATO NALINI | 12/05/2019 | 07:30

O Brasil desprovido de memória é pródigo ao esquecer figuras que poderiam servir de modelo para as novas gerações. Tantos são os brasileiros que se destacaram nos mais variados setores e que hoje estão no ostracismo. Ao ler que o Senador Calazans foi um dos únicos a se recusar a aprovar o projeto de criação do SNI – Serviço Nacional de Informações, ocorreu-me recordar sua majestosa figura. Tanto física, assim como espiritual.

Benedito Mário Calazans nasceu em Paraibuna, em 13.3.1911 e morreu em 3.1.2007, aos 95 anos, no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo. Filho do professor Benedito Mário Calazans e de d. Judith Moura Calazans, estudou no Seminário Diocesano de Taubaté e doutorou-se em Filosofia e Teologia na Universidade de Roma.

Foi vigário em várias cidades do Vale do Paraíba, como Caçapava, Cruzeiro e Taubaté. Nesta cidade, foi assistente da JOC – Juventude Operária Católica e, em São Paulo, foi inspetor do ensino religioso. Grande orador sacro, elegeu-se deputado estadual em 1950, foi reeleito em 1954 e em 1958 foi eleito Senador por São Paulo, sempre pela UDN- União Democrática Nacional.

Foi professor de Ética na Escola de Cadetes da Força Pública, hoje Academia do Barro Branco, responsável pela formação dos policiais militares paulistas.

Opôs-se à criação do SNI, ao lado de Mem de Sá, senador do PL do Rio Grande do Sul. Profetizou que o SNI, fruto da criatividade do General Golbery do Couto e Silva (1911-1987), poderia se transformar num instrumento, sem controle, de opressão da cidadania. Convencido por Golbery, considerado um Rasputin brasileiro, o Presidente General Humberto de Alencar Castelo Branco (1897-1967) enviou um projeto de lei ao Parlamento, que foi aprovado a toque de caixa e sancionado em 13.6.1964.

Monsenhor Calazans, Camareiro Secreto de Sua Santidade, participou da celebração dos 80 anos do Papa João XXIII. Foi assistente da JUC – Juventude Universitária Católica em São Paulo, Fundador e Orientador Espiritual da Lareira, instituição a serviço da família e Fundador e Diretor Espiritual Nacional do Movimento de Emaús, que promove Cursos de Valores Humanos e Cristãos para Jovens.

A convite de minha sogra, Heloísa Brant de Carvalho Freitas, que pertencia à Lareira, foi ele quem me casou, em 28.9.1976, na Igreja Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, em São Paulo. Dele guardo lembrança muito afável. Sacerdote afeiçoado ao convívio com os fiéis, partícipe da vida familiar, culto e erudito, sem qualquer pedantismo.

JOSÉ RENATO NALINI é Reitor da UNIREGISTRAL, Docente da Pós-Graduação da UNINOVE, Presidente da ACADEMIA PAULISTA DE LETRAS – 2019-2020.

Foto: Divulgação

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