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Renato Nalini: “Não vai demorar”

josé renato nalini | 03/06/2018 | 04:00

No século passado, havia pessoas que nunca deixaram o chão natal. Nasceram, cresceram, viveram e morreram no mesmo espaço físico. Hoje a situação é muito diferente. As transformações drásticas no clima e no trabalho vão intensificar a imigração. Com o desaparecimento de muitas profissões e a demanda por outras para as quais não houve preparo, haverá o deslocamento de legiões para outras partes do planeta. A população envelhece e haverá necessidade de mais cuidadores. Isso é algo que o computador não conseguirá fazer.

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Ao menos, não com o desvelo e o carinho humano, insubstituíveis na fase terminal da existência de milhões de seres. A mobilidade humana, neste século, já alcançou fluxos sem qualquer precedente. O número de migrantes aumentou 50% entre 2000 e 2017. Passou de 258 milhões de pessoas. Só que ela é cada vez mais fluida. No passado, saía-se de um país com vistas a estabelecer-se em outro. Agora, este outro pode variar, de acordo com a necessidade, com as carências experimentadas pelo migrante e com o preconceito que também aumenta.

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Ninguém levou a sério o aquecimento global. Entretanto, ele é hoje uma causa relevante do abandono de terras que se tornaram inférteis, improdutivas e inóspitas, quando não contaminadas, por pessoas que ali nasceram e que hoje se consideram apátridas. No Pacífico, os Estados insulares, considerados refúgios naturais nos quais o morador das grandes concentrações sonhava residir um dia, desaparecerão. Muitos já desapareceram.

Estão sob a água, resultado da insensatez humana que não reduziu o comportamento gerador de gases produtores do efeito estufa. Não será um processo fácil o da aceitação, da absorção e da assimilação de pessoas pelas nações. O controle de dados é cada vez maior. Haverá seletividade na recepção dos migrantes. Muitos humanos serão barrados e condenados a perecer, porque não têm qualificação para atender às demandas emergentes nos países que podem se dar ao luxo de receber mais pessoas, sem o risco de ocasionar a falta de recursos para a vida digna de seus nacionais. Ainda não há remédio para combater o preconceito, que tem caráter patológico e não cessa, ainda se oferte o argumento de provas empíricas ou científicas. É algo inerente à matéria miserável de que é feito o homem.

JOSÉ RENATO NALINI é desembargador, reitor da Uniregistral, escritor, palestrante e conferencista. 


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