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Renato Nalini: Nem só de transgênico se vive

JOSÉ RENATO NALINI | 20/10/2018 | 19:00

A 4ª Revolução Industrial não significa apenas Inteligência Artificial, robótica, nanotecnologia, internet das coisas, impressão 3D ou aquilo que a Física Quântica está arquitetando para nos surpreender. Há também muita biotecnologia envolvida e é essa a área que deveria merecer a atenção de nossa juventude. O Brasil não está na vanguarda da pesquisa, muito pelo contrário, mas há cientistas e pesquisadores devotados. A maior parte das vezes, sem qualquer apoio ou incentivo, escolhem essa rota e permanecem, anos a fio, fazendo experimentos e oferecendo o benefício de suas descobertas para toda a humanidade.

Muito se falou sobre os transgênicos, a respeito dos quais tenho ainda minha resistência. Afinal, o alimento que recebe o selo de transgênico – identificado com a letra “T” dentro de um triângulo amarelo – recebe genes adicionais até de outras espécies. Por isso eles também foram chamados de “comida Frankestein”. Pois os brasileiros Lázaro Peres, botânico da Universidade de São Paulo (USP), e o geneticista Augustin Zsögön, da Universidade Federal de Viçosa, usaram a técnica de edição genética chamada “Crispr” para modificar o DNA no cultivo de tomates.

Vejam bem a diferença: eles não acrescentam gene novo ao tomate. Apenas suprimem genes, mantida a estrutura genética original. Seria, no máximo, uma amputação. E temos exemplos bem próximos disso: vive-se bem sem o apêndice, sem a vesícula, sem a tireoide. A pesquisa de Lázaro e Augustin levou à recuperação da formatação original do tomate. Com isso, os frutos surgem com haste mais fácil de se cortar, o que evita danos na colheita. Há vida fora dos transgênicos, portanto. E a ciência contribui para mostrar que nem sempre é necessário adulterar aquilo que foi produto genuíno, natural, para que ele continue a servir à espécie humana.

Por sinal, tramita pelo Senado um projeto de lei que elimina a obrigatoriedade de incluir o selo de transgênico nos produtos vendidos no Brasil. Há um grande interesse nisso, porque há pessoas que, como eu, gostam de consumir o original. E, se tiverem de escolher o que foi adulterado, têm o direito de saber. Por enquanto, o Senado recebeu 26 mil votos contra e apenas mil votos a favor.

JOSÉ RENATO NALINI é reitor da Uniregistral, docente universitário, palestrante e autor de “Ética Geral e Profissional”, 13ª ed. – RT-Thomson

JOSE RENATO NALINI


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