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Renato Nalini: O menino de Guaratinguetá

JOSÉ RENATO NALINI | 17/01/2019 | 07:30

Para um Brasil tão necessitado de referências éticas, não custa lembrar que já tivemos homens públicos de caráter. São exemplos para uma juventude aparentemente sem parâmetro e, por isso mesmo, que não encontra sentido nem perspectivas neste panorama de terra devastada.
Em 19 de janeiro de 1919, falecia Francisco de Paula Rodrigues Alves, que fora Presidente da República entre 1902 e 1906. Era o terceiro paulista a presidir o Brasil, sucedendo a Campos Sales, que sucedeu Prudente de Morais. Não merece reverências por ter sido chefe do Executivo da União Federal, mas porque foi um homem virtuoso. E a virtude, em tempos de valores, costumava espargir um aroma perfumado na memória dos homens, algo que não perece nunca.
Eram tempos em que a virtude se fazia reconhecida. Por isso a inteligência nata, mas principalmente o esforço e a vontade de Rodrigues Alves o levaram a ser deputado provincial, sucessivamente eleito para várias legislaturas, deputado geral, 4 vezes senador, 3 vezes presidente do Estado de São Paulo – assim se chamavam os Governadores – 2 vezes presidente da República.
Nasceu em Guaratinguetá, a 7 de julho de 1848, exatamente 8 anos depois que o Imperador Pedro II completara sua maioridade. Único dos irmãos em que o pai viu talento para mandá-lo estudar no Colégio Pedro II, então a melhor unidade de ensino do Brasil. Ali foi colega de Joaquim Nabuco, mas a sua classificação durante os sete anos foi a de primeiro aluno da turma em cinco e de segundo em outros dois.
Era tão estudioso que o próprio Imperador Pedro II, este sim, o governante que foi verdadeiro amigo da educação, assistia frequentemente as aulas e gostava de ver a arguição oral do “menino de Guaratinguetá”.
Em quatro anos de presidência da República, Rodrigues Alves teria feito mais do que o Segundo Império em meio século. Cercou-se de sábios e competentes Ministros. Admirava-os, confiava neles e deixava que eles fizessem o melhor. Foi assim que transformou o Rio de Janeiro, conhecido como “cemitério da civilização”, na “Cidade Maravilhosa”, conforme a batizou Coelho Neto. E erradicou a febre amarela e outras epidemias que grassavam naquele espaço privilegiado pela natureza. Conspurcado pela ignorância e pela miséria humana.
O Brasil se ressente hoje de “mais meninos de Guaratinguetá”.

JOSÉ RENATO NALINI é Reitor da Uniregistral, docente da Pós-Graduação na UNINOVE e Presidente da Academia Paulista de Letras – 2019/2020

JOSE RENATO NALINI


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