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Renato Nalini: Privilégio dos cristãos

JOSÉ RENATO NALINI | 18/04/2019 | 07:30

Hoje é quinta-feira Santa, na denominação tradicional da Igreja. Dia da Instituição da Sagrada Eucaristia. Celebra-se a Ceia do Senhor. Véspera da Paixão, reuniu-se com seus discípulos, lavou-lhes os pés, sinal de humildade. Mas ensinamento para que ninguém se considerasse superior a seu semelhante. Todos dignos de respeito, consideração e, se possível, destinatários daquela norma de ouro, o “amai-vos uns aos outros”.
Comando de tão difícil observância que poderia levar o incauto a pensar que a civilização cristã se apoia num absurdo. Como conseguir amar ao inimigo?
Mas nessa quinta-feira, a instituição da Eucaristia foi o legado mais expressivo do Cristo. Permitir que se consuma, quando se queira, sangue e corpo do Filho de Deus é algo inimaginável. Um privilégio da cristandade.
É natural que outras confissões, não cristãs, estranhem a conduta de grande parcela dos que foram batizados e se intitulam seguidores de Jesus. Passam várias vezes diante dos templos e, muita vez, não adentram para levar suas angústias, suas aflições e necessidades ao Cristo no sacrário.
A perplexidade daqueles que não seguem o Cristianismo é consistente. “Se eu acreditasse que meu Deus estaria à minha espera num tabernáculo, eu estaria ali durante todo o meu tempo disponível”.
Envolvemo-nos na rotina, distraímo-nos no trabalho, enredamo-nos naquilo que não interessa. E deixamos o que realmente interessa de lado.
Muito daquilo que o planeta hoje ostenta em termos de violência, ira, crueldade, ressentimento e desamor, advém do abandono daquilo que já foi seiva vivificante e regeneradora. A crença, alimento d’alma. Aquela que, ao lado da esperança e do amor, podem converter a humanidade num coletivo coeso e uníssono.
Afinal, somos todos feitos da mesma e única matéria frágil e efêmera. Destinados à finitude. Mal nascemos e começamos o trajeto em direção à morte. A cada dia vivido, é um a menos que nos distancia do encontro com a ceifadeira.
Quem possui a graça da crença é um bem-aventurado. Tem razões de sobra para encarar o futuro sem receio. Sabendo que esta peregrinação é etapa transitória e que somos destinados a algo muito acima das misérias terrenas. Vivenciemos nossa quinta-feira Santa, com a intenção de nos tornarmos um pouco menos presos à matéria, mas voltados à transcendência, para a qual fomos criados.

JOSÉ RENATO NALINI é Reitor da Uniregistral, Docente da Pós-Graduação da UNINOVE e Presidente da Academia Paulista de Letras, gestão 2019-2020.

Foto: Divulgação

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