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Renato Nalini: Quando se pensa que não pode piorar

JOSÉ RENATO NALINI | 13/12/2018 | 07:30

O retrocesso na tutela ambiental do Brasil é uma das péssimas reiteradas constatações em nossos dias. Desmatou-se muito mais do que em anos anteriores, por certo na certeza de que a bancada da exterminação do futuro iria mandar. Mas não é só.
Constatou-se que a cada dia toneladas de redes, arpões, anzóis, baldes e outros instrumentos de pesca são lançados ao mar ou perdidos por quem pesca de forma legal ou ilegal.
Isso significa que vinte e cinco milhões de animais da fauna marinha são imediatamente mortos ou prejudicados. Mas não é a proteção ao irracional que preocupa cientistas os mais insuspeitos.
É que o consumo desse plástico, ao ser transformado em micropartícula, passa para a corrente sanguínea e a compor o organismo de peixes depois consumidos pela humanidade.
Câncer e outros tumores, enfermidades ligadas à imunidade, comprometimento das substâncias que integram a conformação físico-material do ser humano abreviam o encontro dos que consomem esse nutriente com a “indesejável dos homens”. Ou seja: o chamado “ser racional” é justamente aquele que parece ter escolhido o suicídio como destino.
Perto do lixo marinho, o canudinho de plástico, o atual vilão do ambiente, torna-se menos importante. Não que se justifique o seu uso. Mas as coisas são muito mais graves e perigosas do que se pensa.
Tal notícia convive com a insensatez de se acreditar que não existe aquecimento global e que a poluição é inofensiva.
A COP24, na Polônia, está sendo a mais pessimista das reuniões da ONU para alertar o humano de que não há mais tempo.
Será que os sinais emitidos têm sido insuficientes? As inundações, os furacões, os tsunamis, os terremotos, a desertificação, o desaparecimento das espécies, a combustão espontânea diante de secas prolongadas, tudo isso é natural?
Pobres crianças que não conseguirão enxergar a exuberância de uma natureza que nos foi entregue praticamente intocada, salvo em alguns países utilizados como quintal de exploração pela metrópole.
Mas que vamos devolver calcinado, queimado, deserto, destruído.
Sobra vida inteligente neste infeliz planeta?

JOSÉ RENATO NALINI é Reitor da Uniregistral e autor de “Ética Ambiental”, 4ª ed., RT-Thomson Reuters.

Foto: Divulgação

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