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Renato Nalini: Tudo tem jeito

JOSÉ RENATO NALINI | 28/04/2019 | 07:30

O aparentemente inofensivo canudinho tornou-se vilão. É de plástico, o veneno que domina o mundo. Vai parar nos rios e no mar. Ali tem devastado a fauna que sobrou à sanha assassina do animal que se mostrou mais cruel na história da vida: o ser humano.
Verdade que grande parte dos insensíveis considere a questão uma irrelevância. Folclorizam os “ecochatos”, os nefelibatas que ousam defender a natureza. Mas existem aqueles que se valem da polêmica para exercer a criatividade.
O Rio de Janeiro já proibiu o uso desse item descartável. Abriu caminho para empreendedores que lançaram canudos de vidro, de aço inox, silicone e vidro e silicone com aço inox.
A marca “Coisas de bambu” produz canudinhos de bambu com grande durabilidade. E nossa cidade conta com a CB Canudos, que desenvolveu um canudinho de alumínio, por inspiração da estudante Caroline Cavalli Bighetto.
A mente aberta e pronta a mudar aquilo que parece imutável é a receita para a sobrevivência no século XXI. A Terra já cansou de pedir socorro e está reagindo da forma como pode. Inundações, secas, precipitações intensas, fenômenos que se intensificam e não convencem a comunidade cética. Zombem disso os insensatos. O drama é que nem sempre eles colherão as consequências do descaso e da insensibilidade. Serão seus descendentes, inocentes que serão privados de tudo aquilo que nos foi legado gratuitamente e que não soubemos preservar.
Mas é confiar na generosidade da infância e da juventude. Foi um garoto que viu que o rei estava nu. Só as crianças ainda se mostram abertas para enxergar aquilo que a frieza do coração empedernido não quer ver. Delas poderão surgir respostas para todas as questões que ainda atormentam a humanidade. Nada é pequeno, nada é insignificante, nada é irrelevante quando sua ocorrência, em escala, pode causar consequências nefastas para a vida saudável neste sofrido Planeta.
É preciso investir na manutenção da pureza de propósitos da infância, algo que vai se conspurcando à medida em que o convívio com o mal – tão presente e tão consistente – transforma a alma dos infantes. O mundo precisa de mais generosidade, de mais empatia, de mais comiseração, de mais compaixão, a começar pela caridade em relação ao ambiente. A vítima inerte de nossa insânia.

JOSÉ RENATO NALINI é Reitor da Uniregistral, Docente da Pós-Graduação da UNINOVE e autor de “Ética Ambiental”, além de ter atuado nas Câmaras Reservadas ao Meio Ambiente do TJSP, entre 2005 e 2015.

Foto: Divulgação

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