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Renato Nalini: Um jundiaiense vai sanear o Rio?

RENATO NALINI | 07/03/2019 | 07:30

O jundiaiense Wilson Witzel, eleito Governador do Rio, precisa se inspirar em outro paulista que presidiu o Brasil. Francisco de Paula Rodrigues Alves, o terceiro presidente civil desta República, propôs-se sanear o Rio de Janeiro. Sem que se exterminasse a febre amarela, nenhum empreendimento sério poderia ter êxito. A insalubridade da capital federal se irradiava por todo o país, trazia o descrédito, empecilho intransponível ao desenvolvimento. Nada se poderia empreender com tal situação.
O Rio era uma cidade colonial, surgida ao acaso, incompatível com os mais elementares princípios de ética política e social. “Solo fertilíssimo de males – dizia Miranda Ribeiro – acrimonias particulares, matrizes de erisipelas, empingens, sarnas, endemias crônicas e da doença vulgarmente chamada mal de São Lázaro”.
Situada ao extremo de vasta planície úmida e quente, charcosa, pantanosa e circundada de montanhas, seus logradouros não obedeceram à direção natural dos ventos. Isso gerou “desasseio das praças, proveniente dos despejos, cujos eflúvios voltam para a cidade com os ventos que os fazem pestíferos. Igrejas loucamente recheadas de cadáveres, por indiscreta devoção; a vala, o cano, a cadeia, os exterquelíneos vagos, enfim, tantos depósitos de imundícies”, faziam do Rio uma cidade doentia.
Em pleno século 20, não havia lar que já não tivesse merecido a dor da perda de um familiar, tantas as endemias ceifadoras de vida então registradas. Luto, abandono, tristeza e terror eram sentimentos comuns a todas as regiões da urbe infecta e temerosa, sede de estrumeiras mortíferas. Dizia-se que ir ao Rio de Janeiro equivalia a suicidar-se!
Pois foi essa cidade que Rodrigues Alves transformou, dando força a Pereira Passos e a Oswaldo Cruz. Um rasgando avenidas e destruindo pardieiros. Outro, atacando as causas das infecções malignas.
Se isso foi possível em quatro anos, os quatro gloriosos anos do governo Rodrigues Alves, será que não poderá ocorrer novamente, agora para livrar o Rio da peste do tráfico, do veneno da corrupção, das chagas da violência?
Queira Deus o novo governador tenha força e coragem para levar adiante o seu projeto de saneamento moral. Para devolver ao Rio a paz que o fará revigorar-se em economia e, principalmente, como espaço privilegiado pela natureza para ser o destino de todos os turistas do planeta.

JOSÉ RENATO NALINI é Reitor da Uniregistral, docente da Pós-Graduação da Uninove e Presidente da Academia Paulista de Letras, biênio 2019/2020.

JOSE RENATO NALINI


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