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Rio, retrato do Brasil

CARLOS HENRIQUE PELLEGRINI | 22/02/2018 | 05:00

[vc_row][vc_column][vc_column_text]O presidente Michel Temer assinou na última sexta-feira o decreto que autoriza a intervenção federal na área de segurança no Rio de Janeiro. A partir de agora, o controle da segurança pública está nas mãos do Comando Militar do Leste, chefiado pelo General Walter Braga Netto.

A intervenção é uma decisão inédita e foi motivada pela escalada da violência no Rio e a falta de controle do governador Luiz Fernando Pezão. A história recente da segurança pública brasileira tem sido marcada por demandas acumuladas e mudanças incompletas. Na verdade, a impotência da autoridade para enfrentar o desafio intolerável dos criminosos é mais uma falácia, uma espécie de salvo-conduto para fugir da responsabilidade. Não há mocinhos dignos nem heróis da Pátria nos bastidores desse “bangue-bangue”, no qual a população ordeira e trabalhadora é encurralada, sem transporte coletivo nem trânsito fluente e, sobretudo, sem paz em casa, na rua ou no escritório. Raros ganhos, como a redução dos homicídios em São Paulo entre 2000 e 2016, tendem a perder força, na medida em que não há normas técnicas, regras de conduta ou padrões capazes de modificar culturas organizacionais ainda baseadas na defesa do Estado e não da sociedade.

As instituições policiais e de justiça criminal não experimentaram reformas significativas nas suas estruturas. Avanços eventuais na gestão policial e reformas na legislação penal têm se revelado insuficientes para reduzir a incidência da violência urbana, numa forte evidência da falta de coordenação e controle.

Nunca se soluciona o problema porque se incorre no engano de não o analisar sistemicamente, com as causas reais. Como há que responder à correta pressão da mídia e interferir o quanto antes no processo de formação da opinião pública, inclusive internacional, recorre-se aos estalos de soluções assistêmicas que logo se exaurem e, finalmente, agravam o problema.

ARTICULISTA CARLOS HENRIQUE PELLEGRINIOnde está o enfrentamento estrutural e permanente da gênese real da violência? Onde está o destaque para a prevenção primária do uso de drogas? Onde estão os tabus a serem derrubados? Um destes é o tráfico ilegal, causador maior da violência.

O rolo compressor do tráfico tem criado consequências maléficas muito além da saúde e do comportamento dos usuários e atinge a Nação e o Estado, por via da afronta ao poder, autoridade e soberania populares delegadas aos chefes do Poder Executivo nas três esferas da administração pública. Espero que dessa vez seja diferente.

CARLOS HENRIQUE PELLEGRINI é professor universitário e diretor de Gestão Empresarial e de Sucessão Familiar da Maxirecur Consulting / pellegrini@maxirecur.com.br[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row]


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