Opinião

Rodrigo Janot


Essa última do ex-Procurador Geral da República foi demais! Confesso que vejo aí mais um sintoma da degradação na combalida República em que vivemos. As coisas andam mal, muito mal. Duas hipóteses se põem quanto à fantástica narrativa. Ou corresponde à realidade de algo que de fato aconteceu, ou se trata de mais um golpe que se presencia aqui no país, desta vez um ‘golpe de publicidade’, verdadeira jogada para impulsionar a venda do livro de memórias escrito pelo ex-Procurador Geral, conforme muita gente que convive com as excentricidades de Brasília já está afirmando que é. Se a pretendida pistolagem de Rodrigo Janot tivesse ocorrido, redundando no assassinato do ministro Gilmar Mendes, com o imediato suicídio do então assassino, daí sim teríamos um enredo digno de mais uma desastrada história político-institucional de nossa recente cotidianidade. Algo digno de livro ou de filme. Mas, como tudo ficou restrito à mirabolantemente incruenta versão oral do ex-comandante-em-chefe do Ministério Público, o tiro estratégico do senhor Rodrigo acabou por sair pela culatra. Em suma, o agora aposentado servidor público procurou, e achou, sarna para se coçar. Certas Instituições de Estado se desarmonizam, e muito, a depender das pessoas físicas que ocupam um determinado posto, num determinado tempo e num determinado espaço. Quanto maior a abrangência nacional de uma Instituição, como é o caso da Procuradoria Geral da República (PGR) e do Supremo Tribunal Federal (STF), maior é a visibilidade que elas atraem. Vale lembrar que a PGR é o órgão máximo do Ministério Público Federal, enquanto o STF o é do Poder Judiciário brasileiro. Quem nunca assistiu ou viu de relance algum julgamento no âmbito do STF? Ali, ao lado do presidente do Supremo, tem assento o Procurador Geral da República. Ele sempre estará sentado à esquerda de quem vê pela televisão, mas à direita da bancada onde está sentado o presidente do Tribunal. Na maioria das vezes não se entende o juridiquês impregnado na fala dos Ministros, o que é algo normal, já que ali são discutidos assuntos técnicos. Mas, apesar disso, é comum assistirmos à revelação do lado negativamente mais humano de Suas Excelências. Quem é que nunca viu Ministros do Supremo empolar na performance? Ou em discussões entre eles levadas para o lado pessoal? Quem é que nunca viu e até se divertiu com as inúmeras paspalhadas protagonizadas por aqueles magistrados? Vivemos um momento institucionalmente ruim de nossa história republicana. De julgadores combinando com acusadores o resultado de processos, de prisões decretadas inconstitucionalmente antes do trânsito em julgado das condenações, de autoridades que entendem que a contenção do próprio abuso não pode estar previsto em lei, passando por relatos pessoais da intenção de matar e morrer, um pouco de tudo temos para nos divertir, ou lamentar... GLAUCO GUMERATO RAMOS é Advogado. Professor da FADIPA. Presidente para o Brasil do IPDP. Diretor de Relações Internacionais da ABDPro.

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