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Rose Gouvêa: “Parada LGBT: um orgulho”

ROSE GOUVÊA | 05/06/2018 | 06:01

Sempre que se aproxima a realização da maior Parada do Orgulho LGBT do planeta, que ocorreu no último domingo em São Paulo, algumas pessoas tentam desqualificá-la com discursos do tipo “É só uma festa!”, ou “Não há necessidade disso”! Mas, ao contrário, as paradas são, comprovadamente, ferramentas necessárias e muito eficazes na luta pelo resgate da cidadania das pessoas LGBTs. A primeira parada aconteceu em Nova York, depois de um grande protesto contra “batidas policiais de rotina” em um bar voltado ao público LGBT. Os frequentadores decidiram se rebelar durante quatro dias e formaram uma grande resistência contra a repressão policial. Um ano depois, em 1970, mais de dez mil pessoas saíram às ruas relembrando o episódio, que ficou conhecido como “A Rebelião de Stonewall”. A partir daí, muitas cidades ao redor do mundo passaram a realizar as Paradas LGBTs para reafirmarem a necessidade de luta por direitos e para celebrar o orgulho das pessoas serem quem realmente são. No Brasil, a primeira aconteceu em 1997.

COLUNISTA ROSE GOUVEIA

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Em Jundiaí, a primeira Parada do Orgulho ocorreu em meados de 2006 e, a exemplo do que aconteceu em Nova York, as pessoas LGBTs também foram às ruas para denunciar a violência sofrida dentro de um bar voltado para esse público, aqui na cidade. Neste ano de 2018, o evento entra na sua 13ª edição, sendo um grande instrumento de visibilidade e de conquistas. Mas, além de ser um evento sociopolítico, que reivindica direitos básicos e equidade às LGBTs, a parada deve também ser reconhecida como uma grande festa ao ar livre. E por que não poderia? Todos têm o direito de, ao menos num dia no ano, sair às ruas bradando “Sou LGBT e sou feliz! Existo e resisto”!

E o principal ponto da festa não é a quantidade de pessoas que vão às ruas, mas a quantidade de pessoas que são impactadas com a informação de que ser LGBT não é uma doença ou falta de caráter, e que os membros dessa população devem ser respeitados pelas demais pessoas e também pelo Estado. A presença cada vez maior de pessoas heterossexuais nas paradas é sinal de que o evento vem cumprindo com sua finalidade e, aos poucos, vai derrubando as barreiras do preconceito. Em suma, as Paradas do Orgulho LGBT são lindas manifestações de celebração à vida, à dignidade e à igualdade. Alguém de boa-fé pode ser contra algo de tamanha nobreza? Certamente que não.

ROSE GOUVÊA é advogada, militante LGBT de Jundiaí há 12 anos e presidente da Comissão da Diversidade Sexual da OAB de Jundiaí


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