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Se o frio enregela a alma, a mão deixa de aquecer

VANIA MUGNATO DE VASCONCELOS | 09/06/2019 | 07:30

Felizmente não é a regra. Não obstante, é verdade que muitos só despertam para os atos de amor que transparecem na prática da caridade se forem tocados pela necessidade de forma absolutamente pessoal.

Só assim passam a enxergar a necessidade do próximo, antes invisível aos seus olhos.

Não basta que alguém diga, que alguma pessoa peça, quando é visto de mais longe, o sofrimento não toca a todas as almas.

Não é incomum que só a aflição pessoal motive suficientemente o ser humano, alterando sua conduta perante o angústia do outro; não é raro que o tormento pessoal ou de alguém bem próximo sejam as únicas forças com energia para aquecer corações antes enregelados pela indiferença; que o martírio sentido na própria pele seja o maior incentivador daquele olhar que realmente enxerga, dirigido para os seres abandonados da sorte.

Para muitos, somente quando isso acontece é que o sentimento de misericórdia nasce, então é que ocorre a percepção de que todos os gestos devem ser aquecidos pelo amor.

Aliás, no meio espírita é corriqueiro escutar a expressão “quem não vai pelo amor, vai pela dor”. Significa dizer que temos o direito de realizar o que quisermos, pois o livre arbítrio nos permite escolher.

Todavia, quando escolhemos caminhos tortuosos ao invés dos caminhos da benevolência, decidimos aprender com as consequências muitas vezes dolorosas que nos visitarão no futuro, pois é da semente que se escolhe plantar que nascerá o fruto a ser colhido no amanhã.

Em outras palavras, seria melhor se despertássemos para a bondade já, se a visão da necessidade alheia tocasse as fibras de nossas almas e com ela nos tornássemos “pelo amor”, colaboradores de Deus.

Seria muito bom se nós, que já sentimos o frio na pele prenunciando o inverno que chegará em breve, pudéssemos lembrar como é bom estar aquecidos, e desse modo decidíssemos pela generosidade de doar desde a vestimenta que não nos serve mais até o cobertor comprado com objetivo de proteger um irmão. Seria… seria não, será!

Será muito bom quando lembrarmos do sofrimento e não esperarmos que ele nos chegue para fazer recordar dos que já sofrem todos os tipos de necessidade.

Que o amor seja a nossa escolha, que nossa alma se aqueça no embalo da caridade e que nesse sentimento, saibamos estender as mãos.

VANIA MUGNATO DE VASCONCELOS é advogada, articulista e palestrante espírita.

VANIA MUGNATO DE VASCONCELOS


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