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Sérgio Bretones: Sonda Mars InSight pousa em Marte

PAULO SÉRGIO BRETONES | 04/12/2018 | 07:30

No dia 26 de novembro, a sonda InSight pousou em Marte. Lançada pela Nasa em 5 de maio deste ano por um foguete Atlas V e com um custo de quase 1 bilhão de dólares, demorou seis meses para chegar naquele planeta. Chegando lá a quase 20 mil km por hora e reduzindo sua velocidade a cerca de 8 km por hora usou um escudo térmico para protegê-la do calor da entrada na atmosfera de Marte e também paraquedas e retrofoguetes para pousar.
Desde os anos 1960 foram lançadas 43 missões para Marte das quais apenas 18 chegaram com sucesso. A sonda InSight tem este nome que significa Interior Exploration using Seismic Investigations, Geodesy and Heat Transport ou Exploração de Interiores utilizando Investigações Sísmicas, Geodésia e Transporte de Calor. Seu principal propósito é estudar o interior do planeta e sua atividade sísmica, ou seja, movimentos da superfície.
O sismômetro poderá registrar alterações sísmicas causadas por quedas de meteoritos, pelas passagens das luas de Marte, descobrir se o núcleo de Marte é sólido ou líquido, sua velocidade de rotação, composição e espessura das camadas do interior do planeta. Além disso, a nave leva um instrumento que pode cavar até cerca de 5 metros de profundidade para medir a temperatura do interior de Marte e outras propriedades. Trata-se de uma estaca que usa uma broca com molas e motores que permitem perfurar o solo e analisá-lo. Muito se sabe sobre a superfície de Marte e sua atmosfera, mas pouco sobre seu interior.
Se pararmos para pensar, ficaremos surpresos sobre o quanto já foi feito até agora no envio de sondas àquele planeta. Se assistirmos às animações produzidas em vídeos da Nasa podemos perceber os recursos que a sonda leva e que serão usadas nesta missão. Além de painéis solares de última geração, braços robóticos serão utilizados para instalar os instrumentos da missão.
Isto nos faz pensar sobre o desenvolvimento e o potencial da robótica como tecnologia a serviço da humanidade. Atualmente existem muitos cursos e projetos para o desenvolvimento de robôs e até olimpíadas de robótica para incentivar os alunos. Pensando na exploração de Marte, isto pode ser motivador e inspirar futuras gerações para produzir coisas úteis aqui mesmo em nosso planeta.
Sugiro aos professores assistirem com seus alunos aos vídeos da Nasa sobre a sonda. Isto pode promover “insights” para os estudantes no sentido usado pela psicologia, como a compreensão súbita de alguma coisa ou determinada situação, quando uma solução surge de forma repentina, um estalo, uma intuição. Nos desenhos, o insight é representado com o uma lâmpada acesa em cima da cabeça do personagem, indicando um momento único de esclarecimento, uma iluminação ou descoberta.
A exploração espacial segue adiante e a missão Insight em Marte pode ser mais um grande exemplo do sucesso das pesquisas e inspirar novos estudos.

PAULO S. BRETONES é professor do Departamento de Metodologia de Ensino da UFSCar. Site: www.paulobretones.com.br

T_PauloBretones


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