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Seria vã a nossa fé

JOSÉ RENATO NALINI | 21/04/2019 | 04:00

Domingo de Páscoa! Domingo da Ressurreição! A mais importante festa cristã. Sem a certeza da ressurreição, não haveria religião. São Paulo, que não conviveu com Jesus, foi quem proclamou que, se Jesus não ressuscitou dos mortos, vã a nossa fé!
Essa é a mensagem deste domingo, que não pode se transmutar em festa desvinculada de sua origem. O ovo de Páscoa, mera propaganda de chocolate, não pode substituir a celebração do ressurgimento do Senhor dentre os mortos, ao terceiro dia depois de encerrada a sua vida terrena.
Oportunidade também para sepultar aquilo que não deve sobreviver e para fazer ressurgir os bons propósitos, o compromisso de se tornar cada vez melhor, pois é isso o que justifica a nossa passagem pela Terra.
Essa consciência já foi mais intensa e disseminada do que hoje aparenta ser. A Jundiaí da segunda metade do século passado era mais religiosa e mais cumpridora dos rituais da Igreja.
As Semanas Santas sempre foram célebres em Jundiaí. Conta-se que numa das visitas do Imperador Pedro II à nossa cidade, a Imperatriz Tereza Cristina comentou que a Corte elogiava a beleza das procissões jundiaienses. Providenciou-se então, para satisfazer a Imperatriz, uma “Semana Santa” em pleno setembro.
Nas décadas de cinquenta e sessenta, a Semana Santa empolgava a cidade inteira. Começava com a Via-Sacra no sábado, seguida da procissão do “depósito”. O Senhor dos Passos era levado à Santa Cruz – Igreja de Nossa Senhora do Rosário e São Benedito. No domingo, participava da procissão do encontro. Com prédicas esplêndidas.
A Semana prosseguia com Via-Sacra pelas ruas centrais, as estações montadas nas residências que se ofereciam e preparavam belos altares, as “Trevas” na 4ª Feira Santa, o Lavapés na quinta, a Paixão na sexta. Dia de silêncio, de jejum e abstinência e de grande tristeza.
Missa da Aleluia no sábado à noite e, na madrugada de domingo, a procissão do Ressuscitado, com novo encontro com Nossa Senhora, já ornamentada para o momento alegre e definitivo.
A tradição continua em países como a Espanha, que sabe cultivar essas manifestações de fé e que se constituem também em expressões culturais e até turísticas.
O importante é que todos tenham um momento de reflexão para aferir o significado da Ressurreição. Ideia força que mantém, a despeito das vicissitudes e da fragilidade do caráter humano, uma Igreja viva há mais de dois milênios. Feliz Páscoa da Ressurreição do Senhor para todos!

JOSÉ RENATO NALINI é Reitor da Uniregistral, Docente da Pós-Graduação da UNINOVE e Presidente da Academia Paulista de Letras, gestão 2019-2020.

Foto: Divulgação

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