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Só diploma não resolve

JOSÉ RENATO NALINI | 05/05/2019 | 07:30

Antigamente, o sonho dos pais era fazer com que o filho chegasse à Universidade. Ainda existem famílias que não puderam ostentar essa glória, senão na terceira geração. Só que o mundo mudou. Diploma de nível superior, no século XXI, pode ser uma condição necessária. Mas nunca suficiente a que o formado consiga sobreviver dignamente.
É por isso que nas classes mais favorecidas, o fenômeno do empreendedorismo seja muito mais efetivo do que nas demais. Quem viaja para o exterior, quem está ligado a tudo o que acontece no mundo, tem condições mais apropriadas a enxergar a célere mudança da sociedade.
Quase 40% dos alunos das melhores faculdades do Brasil focam startups e não empregos. Estamos falando de USP, Unicamp, Insper e FGV. Se há alguns anos o empreendedorismo era considerado uma aventura. Agora é uma opção real e consistente.
Talvez essa juventude mais antenada se baseie no exemplo de Bill Gates, Steve Jobs e Mark Zuckerberg, que não dependeram da Universidade para se tornarem bilionários. Aqui não existem tantas histórias assim. Mas o que existe em comum com o jovem empreendedor brasileiro e o empreendedor norte-americano é a ousadia, a coragem e a vontade de vencer. É preciso se arriscar para chegar lá.
Há muita coisa no mundo reclamando um outro olhar. No mundo do trabalho, tudo o que se repete está condenado a desaparecer. A tecnologia é uma corrida de obstáculos e a obsolescência morde os calcanhares dos retardatários. Um grande banqueiro afirmou: “Hoje, em nossos bancos, alguns humanos parecem robôs; amanhã, os robôs é que se comportarão como pessoas”. A inteligência artificial já manipula um universo infinito de informações. A evolução exige novas competências. É urgente que o jovem se reinvente, evolua e desenvolva habilidades que a escola negligencia. Empatia, capacidade de se comunicar, sensibilidade, tolerância, vontade de encarar o novo, não ter preguiça de se reciclar continuamente.
Obter o diploma é muito fácil. Em muitas unidades universitárias, na verdade ocorre uma venda de diploma em sessenta prestações mensais. O difícil é fazer valer o sacrifício e o investimento. Isso depende de cada um e não da escola. Quem não se aperceber da gravidade do quadro, perecerá.

JOSÉ RENATO NALINI é Reitor da Uniregistral, Docente da Pós-Graduação da UNINOVE e Presidente da Academia Paulista de Letras-gestão 2019-2020.

HOMENAGEM DOUTOR JOSE RENATO NALINI NO FORUM


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