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Teoria Geral da Corrupção

CARLOS HENRIQUE PELLEGRINI | 12/03/2020 | 07:30

Escândalo de corrupção é o que não falta no Brasil dos dias de hoje. Não foi o Lulopetismo que inventou a corrupção no nosso país, mas a aperfeiçoou e a expandiu. Em outro artigo mencionei que no limiar do século XVI o governo português destacou o experiente Vasco da Gama para comandar a armada que rumaria à Índia, e que no caminho viria descobrir o Brasil. De última hora, sem explicações, o comando foi assumido pelo inexperiente fidalgo Pedro Álvares Cabral.

A mudança foi “articulada” e bem paga a “puxa sacos” do rei D. Manuel I. Provavelmente o primeiro ato de corrupção envolvendo o Brasil, antes mesmo de existir. Mensalão Mineiro (PSDB), Mensalão de Brasília (DEM), Mensalão (PT), os Trens da Alegria do Geraldo e cia (PSDB), e por fim a obra prima corrigida e estendida, o Petrolão de todos eles. Ainda virão os escândalos da Caixa Econômica, Banco do Brasil, Eletrobrás, e quiçá o pai de todos os escândalos, o do BNDES.

Amparados pela concepção da “política profissional”, que invoca a democracia para justificar a fraude do sistema de representação popular e qualifica como aristocráticos os esforços para separar a esfera pública da esfera privada, a Teoria Geral da Corrupção prevê uma mistura de cinismo, amnésia dos eleitores e uma regra que vem mudando, de que “sempre foi assim e ninguém vai ser punido”.

É nesse ponto do raciocínio que a Teoria Geral da Corrupção se transforma na Corrupção da Teoria Política. Há duas leituras contrastantes, ambas coerentes, sobre a corrupção. A primeira acusa os partidos de agir “como todos”, entregando-se às práticas convencionais da tradição patrimonial brasileira e levando-se a conseqüências extremas.

A segunda acusa todos os partidos de operar, sob o impulso de um projeto de poder autoritário, com a finalidade de quebrar os contrapesos parlamentares ao Executivo e se perpetuar no governo. Seu núcleo é uma celebração da corrupção inerente à política patrimonial tradicional. Seu verniz aparente, por outro lado, é um elogio exclusivo da corrupção, que expressaria a “irrupção da política de mobilização popular” e a “democracia em ação”.

Recentemente formou-se bons professores da Teoria Geral da corrupção; Paulo Maluf, Lula da Silva, Aécio Neves, Fernando Collor, Renan Calheiros, Michel Temer… Que jogam no abismo ideologias e o significado de “direita” e “esquerda”. Ainda não veio a tona nenhum grande escândalo no governo do Presidente Bolsonaro e esperamos que assim fique.

CARLOS HENRIQUE PELLEGRINI é professor universitário e diretor de Gestão Empresarial e de Sucessão Familiar


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