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Carlos Henrique Pellegrini: Teoria geral da corrupção

CARLOS HENRIQUE PELLEGRINI | 02/08/2018 | 05:30

Escândalo de corrupção é o que não falta no Brasil dos dias de hoje. Não foi o Lulopetismo que inventou a corrupção no nosso país, mas a aperfeiçoou e a expandiu. Noutro artigo, mencionei que no limiar do século 16 o governo português destacou o experiente Vasco da Gama para comandar a armada que rumaria a Índia e que, no caminho, viria descobrir o Brasil. De última hora, sem explicações, o comando foi assumido pelo inexperiente fidalgo Pedro Álvares Cabral. A mudança foi “articulada” e bem paga a “puxa sacos” do rei D. Manuel I. Provavelmente o primeiro ato de corrupção envolvendo o Brasil, antes mesmo de existir.  Mensalão Mineiro (PSDB), Mensalão de Brasília (DEM), Mensalão (PT), os Trens da Alegria do Geraldo e Cia (PSDB) e, por fim, a obra-prima corrigida e estendida: o Petrolão de todos eles.

Ainda virão os escândalos da Caixa Econômica, Banco do Brasil, Eletrobras e quiçá o “pai de todos os escândalos” – o do BNDES. Amparados pela concepção da “política profissional”, que invoca a democracia para justificar a fraude do sistema de representação popular e qualifica como aristocráticos os esforços para separar a esfera pública da esfera privada, a Teoria Geral da Corrupção prevê uma mistura de cinismo, amnésia dos eleitores e uma regra que vem mudando, ou seja, “sempre foi assim e ninguém vai ser punido”. É nesse ponto do raciocínio que a Teoria Geral da Corrupção se transforma na Corrupção da Teoria Política.  Há duas leituras contrastantes, ambas coerentes, sobre a corrupção. A primeira acusa os partidos de agir “como todos”, entregando-se às práticas convencionais da tradição patrimonial brasileira e levando-se às consequências extremas.

ARTICULISTA CARLOS HENRIQUE PELLEGRINIA segunda acusa todos os partidos de operar, sob o impulso de um projeto de poder autoritário, com a finalidade de quebrar os contrapesos, parlamentares ao Executivo e se perpetuar no governo. Seu núcleo é uma celebração da corrupção inerente à política patrimonial tradicional. Seu verniz aparente, por outro lado, é um elogio exclusivo da corrupção, que expressaria a “irrupção da política de mobilização popular” e a “democracia em ação”. Temos bons professores de Teoria Geral da Corrupção: Paulo Maluf, Lula da Silva, Aécio Neves, Fernando Collor, Renan Calheiros, Michel Temer etc, que jogam no abismo ideologias e o significado de “direita” e “esquerda”.

CARLOS HENRIQUE PELLEGRINI é professor universitário e diretor de Gestão Empresarial e de Sucessão Familiar da Maxirecur Consulting / pellegrini@maxirecur.com.br


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