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Terra da uva e do vinho

GLAUCO GUMERATO RAMOS | 23/07/2019 | 07:30

Jundiaí é conhecida como a “terra da uva”. Foi aqui que a natureza usou de seus truques e fez nascer a uva Niagara Rosada. Até então só havia a branca. Atualmente nossa “Terra querida Jundiaí” deu um passo além no cultivo das uvas, produzindo cepas próprias para vinhos finos e vinificando-as com surpreendente proveito e qualidade.

Há anos Murilo Azevedo Pinto, meu contemporâneo na “Gloriosa 25ª Turma da FADIPA”, é nosso anfitrião. Especialista em vinhos, Murilo assinou uma coluna sobre o tema neste JJ. Integramos um grupo que é praticamente o mesmo desde a origem, com Thiago Araújo, Pedro “Peroba”, Sandro Sartori e Fefo Rodrigues. Posteriormente somaram-se a nós Alexandre Storch, também da “25ª Turma da FADIPA”, Rafael Ordine e Chito Antunes.

Recentemente degustamos três vinhos produzidos na região de Jundiaí. A experiência, vivida “às cegas”, quando as garrafas são empapeladas para que não se saiba exatamente o que se está a beber, surpreendeu os convivas. A ideia de degustar em taça a nossa regionalidade partiu de mim, com imediato aval de Murilo. Somente ele e eu sabíamos que eram vinhos locais, mas ainda assim as garrafas foram “embaralhadas”, de modo que nem mesmo nós sabíamos qual era qual.

Os vinhos eram da uva Syrah, cultivada com bons resultados no Sudeste brasileiro. A variedade produz vinhos famosos no Vale do Rhône, na França. Também dá ótimos vinhos em outras localidades, como na Austrália, onde é chamada de Shiraz por conta do sotaque anglófono. Murilo pôs mais duas garrafas da mesma uva, uma do “velho” e outra do “novo” mundo, tudo às cegas.

O primeiro jundiaiense foi um “Casa de Pizzo 2016”, feito numa pequena propriedade no bairro do Traviú.Ali, o vinhateiro Antônio Pizzolante cultiva a sua Syrah de “inverno”, assim chamada em razão da técnica da “dupla poda”, que faz com que as frutas fiquem prontas para colheita”, colhendo-se os frutos por volta de julho, quando o normal aqui no Hemisfério Sul é a vindima ocorrer no verão. Colhida no inverno, a uva atinge um ponto de maturação diferente e isso repercute no líquido de Baco.

O outro vinho local foi um “Poesia 2018”, da Vinícola Castanho. Recentemente foi um dos vencedores de um concurso nacional no Rio de Janeiro, tendo sido considerado o melhor Syrah.

Por fim veio um “Micheletto 2017”, produzido pela vinícola do mesmo nome situada na vizinha Louveira. Também elaborado com Syrah de “inverno”, mostrou-se um vinho pronto para beber.

Nossa regionalidade está apta à produção de bons vinhos. Quando me perguntarem se sou da “terra da uva”, estufarei o peito e direi com orgulho: “da uva e do VINHO!”

GLAUCO GUMERATO RAMOS, Advogado. Professor da FADIPA. Presidente para o Brasil do IPDP. Diretor de Relações Internacionais da ABDPro.


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