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Tolerância religiosa

VÂNIA MAZZONI | 25/12/2019 | 08:30

O Brasil é um país bastante plural quando se fala de religião, mas será que as pessoas aceitam as diferenças? Como é isso dentro da sua empresa? Já parou para pensar?

Li recentemente que algumas grandes empresas, entendendo a diversidade, estão mudando os espaços religiosos, criando pontos ecumênicos sem referência a qualquer religião. Achei interessante. Para falar verdade, dentro do espectro da diversidade, sempre me ocorreu as discussões sobre gênero, etnia, orientação sexual e pessoas com deficiência, inclusive esses temas já foram conversas aqui nesta coluna.

Estou dividindo este tema com vocês porque também estou no meu exercício de entender as novas demandas. Entendo que a espiritualidade é algo inerente ao ser humano. É estar conectado com a divindade – e aqui a divindade é plural. Já a religiosidade é um conjunto de crenças e práticas institucionalizadas.

Pensando na diversidade de crenças e de como é heterogênea a espiritualidade em nosso país, penso em como é profunda esta questão.

O IBGE traz dados significativos sobre a diversidade no Brasil: católicos, protestante, testemunha de jeová, religiões de matrizes africanas, espíritas, budistas, judeus, messiânicos, esotéricos, islâmicos, e inclusive dados sobre uma grande parte da população de ateus e agnósticos.

Precisamos desenvolver a habilidade de reconhecer e respeitar as diferenças ou crenças com a mesma importância que damos para o desenvolvimento de habilidades técnicas. Faz parte do Recursos Humanos, olhar o ser humano em todas as suas complexidades e criar um ambiente que não seja excludente.

Fato é que carregamos em nós todas as nossas crenças sobre o mundo e no ambiente de trabalho não é diferente. Não dá para deixar uma parte do que acreditamos em casa, mas é preciso carregar a tolerância e o respeito. Quero lembrar aqui que a intolerância – preconceito e discriminação religiosa é crime previsto em lei.

Quando li sobre a diversidade religiosa no mundo corporativo, pesquisei sobre a quantidade de processos, já que em algumas relações de trabalho a convivência se torna desgastante por conta do assédio moral e discriminação por conta das diferenças de crenças, muitas vezes é necessário tomar medidas judiciais.

Não é preciso aceitar como verdadeiras as crenças diferentes, mas é preciso reconhecer o direito que o outro possui de crer de forma diferente da sua ou até mesmo de não crer. Tolerância religiosa traz bem-estar ao ambiente de trabalho (na vida) e evita processos judiciais.

VÂNIA MAZZONI é diretora de RH. Site: www.novarh.com.br /
E-mail: marketing@novarh.com.br


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