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Um jovem talentoso e patriota

JOSÉ RENATO NALINI | 05/12/2019 | 07:30

Nasceu em 1º de maio de 1829 no Ceará e se formou na São Francisco em 1854. Com 30 anos, era Consultor do Ministério da Justiça. Brilhara na imprensa como folhetinista: escrevia capítulos semanais de textos que seduziam os leitores. Foi assim que publicou o Guarany no Diário do Rio de Janeiro, fazendo os cariocas seguirem comovidos os amores – então puros e discretos – de Ceci e Peri.

Foi assim que ele conquistou a notoriedade que nunca mais deixou de circundar sua personalidade. O Guarany despertou atenção do mais afamado músico brasileiro no século XIX: Carlos Gomes. A ópera se tornou célebre, embora o autor do texto original, que sugeriu o enredo, não ficasse muito satisfeito. O que ele dizia? “O Gomes fez do meu Guarany uma embrulhada sem nome, cheia de disparates, obrigando a pobrezinha da Ceci a cantar duetos com o cacique dos Aimorés, que lhe oferece o trono da sua tribo e fazendo Peri jactar-se de ser o leão das nossas matas. Desculpo-lhe, porém, tudo, porque daqui a tempos, por causa talvez das suas espontâneas e inspiradas harmonias, não poucos hão de ler esse livro, senão relê-lo – o maior favor que pode merecer um autor”.

Ele continuou a escrever e a obter legiões de leitores. Mas se preocupava com o futuro. Às vezes, melancólico, interrogava os amigos: “Você acha que passarei à posteridade? Não nutro essa segurança e, contudo, quanto alento me daria, no meio dos desconsolos que também me vêm do cultivo das letras!”.

Em 1860, resolveu consagrar-se à política ativa e militante. Foi para o Ceará, sua província natal e, mesmo envolvido na conquista de eleitorado, escreveu ‘Iracema’. Não foi um parlamentar com o brilho do romancista. Sobre ele, afirmou Teófilo Ottoni: “Nem de longe lembra o pai. Deve voltar aos seus folhetins e aos seus romancetes”.

Mas chegou a Ministro da Justiça, escreveu Diva e Lucíola e aquele que consideram seu melhor livro: Minas de Prata. Sem prejuízo, escreveu as célebres ‘Cartas de Erasmo’, dez missivas dirigidas ao Imperador, que depois o preteriu deixando de escolhê-lo para o Senado vitalício.

Morreu a 12 de dezembro de 1877, aos 48 anos de idade. Descobriu de quem falamos? De José de Alencar, esse grande intelectual, um dos pontos altos da mentalidade brasileira. Jovem e brilhante patriota.

JOSÉ RENATO NALINI é Reitor da Uniregistral, docente da Pós-Graduação da Uninove e Presidente da Academia Paulista de Letras – 2019-2020.


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