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Um passo a diante

JOSÉ ROBERTO NALINI | 14/11/2019 | 06:00

Muito alvissareira a notícia de que produtores rurais de Jundiaí vão ganhar dinheiro por preservação. O Programa Municipal de Pagamento por Serviços Municipais resulta de lei e tem 40 mil reais para distribuir entre dezesseis propriedades rurais.

O projeto tem o apoio da ONG ‘The Nature Conservancy’ (TNC) e merece elogios. Mostra a consciência ambiental do Prefeito Luiz Fernando Machado, empenhado em coibir a devastação que é a constante em todo o Brasil, depois da sinalização federal.

Já existe um segundo edital que distribuirá 61 mil reais. Visa-se atender a propriedades rurais produtivas, para a fixação do agricultor à terra e incentivar a agricultura sustentável, conciliando-a com a conservação da mata nativa e nascentes.

Por sinal que o programa ‘Nascentes Jundiaí’, cujo propósito é reflorestar as áreas de preservação permanente (APP) que tutelam os cursos d’água, precisa ser mais incentivado.

É um passo importante, mas é preciso ir além.

Jundiaí tem um tesouro que aos poucos vai sendo apropriado pela cobiça. É a Serra do Japi. Não há outra região no Estado que tenha, distante da Serra do Mar, área tão característica da Mata Atlântica.

É preciso fazer com que a zona de amortecimento seja recuperada. Aos poucos, a ocupação dessa área vai se mostrando gulosa de eliminar cobertura vegetal.

Quem viaja pela Anhanguera e Bandeirantes já enxerga muitos prédios que maculam o verde, indicador de uma região protegida e protetora.

O microclima da região depende da preservação da Serra.

Mas há também coisas a serem feitas no Centro da cidade, não apenas na área rural. Quantos terrenos guardados para servirem como estoque de capital não poderiam ser ocupados por plantio?

Por que não incentivar as escolas e fazer com que as crianças se encarreguem de manter viveiros nessas propriedades ociosas?
O Estatuto da Cidade e a função social da propriedade, explicitada na Constituição, autorizam um município criativo a inovar nessa esfera, da qual depende o futuro da sobrevivência na Terra.

Lembrem-se: não é o planeta que corre perigo. É a humanidade, que não sabe cuidar dele.

JOSÉ ROBERTO NALINI é reitor da Uniregistral, docente da Pós-Graduação da Uninove e Presidente da Academia Paulista de Letras – 2019-2020.


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