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Uma forma permanente de amar

DOM VICENTE COSTA | 08/12/2019 | 05:00

Tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim” (Jo 13,1)

Caríssimos leitores e leitoras: começamos hoje o mês de dezembro. É um mês marcado por muita correria, mas também por inúmeras comemorações. São comuns nesta época as reuniões festivas entre amigos e familiares. Também o clima do Natal, do ano que se finda e do ano novo agita a todos, merecendo a realização de grandes festas.

Mas é tempo, também, de parar para refletir sobre o que foi feito durante o ano que passa, agradecendo pelas conquistas e assumindo projetos para o ano que, muito em breve, terá início.

Gostaria, entretanto, de motivá-los a refletir sobre a solidariedade. Nesta época do ano, nós nos preocupamos muito em poder comemorar a vida com pessoas próximas a nós, mas devemos estar também com o coração aberto para sentir a necessidade de tantos que, muitas vezes, não têm as mesmas condições que nós.

Como é bom celebrar a vida com os amigos e familiares! Mas como é triste saber que muitos gostariam também de fazer isto, mas não podem por falta de recursos ou de oportunidades.

Nesta época várias pessoas de boa vontade realizam Campanhas de Natal Solidário, procurando promover o bem-estar de muitas famílias com a generosidade de tantas outras.

Não podemos fechar o coração, mas, ao contrário, devemos ir ao encontro dos mais necessitados. Não podemos ficar tranquilos e em paz, sabendo que muitos sofrem, e que o seu sofrimento poderia ser amenizado com a nossa generosidade e partilha. Deus não permita que nos fechemos de tal maneira!

Neste Natal, que tal se fôssemos ao encontro (ainda que indiretamente) daqueles que necessitam de nossa ajuda? Que tal se ligássemos para aquela pessoa com quem há muito não falamos para dizer-lhe que a amamos? Ou que a perdoamos de coração? Que tal sentir a gratuidade de um gesto simples e sincero, como, por exemplo, doando um panettone, mesmo que seja um daqueles dentre tantos que ganhamos, a uma criança ou a um desempregado que não conhece nem o sabor de um!

Deus concedeu a cada um de nós inúmeras graças. Tenhamos a coragem de deixar o nosso egoísmo, que muitas vezes nos corrói, e procuremos ser caridosos com os outros, seres humanos iguais a nós.

Isso é uma expressão de amor que não vê limites, como o próprio Jesus o fez: amou os seus discípulos durante toda a sua vida, indo ao encontro de todos, sobretudo dos mais pobres e necessitados, restituindo-lhes plenamente a sua dignidade.

E assim poderemos experimentar interiormente esta grande alegria não apenas nesta época de final de ano, mas no decorrer do ano todo. Assim fez o Mestre com os seus discípulos, “amando-os até o fim” (cf. Jo 13,1).

DOM VICENTE COSTA é bispo diocesano de Jundiaí.

Dom Vicente Costa


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