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União Europeia e Brasil

ANTONIO FERNANDES PANIZZA | 07/07/2020 | 05:00

Com a área de 504mil km2, a Espanha está próxima à da Bahia com 566 mil km2. Minas Gerais, com 586 mil Km2 fica perto da França que tem 543. O Estado de São Paulo com 248 mil km2 se assemelha ao Reino Unido que possui 224. Como também o Rio Grande do Sul, com 280 mil km2, caberia na Itália com seus 301, se os contornos fossem próximos.

A União Europeia reúne 30 países, e o Brasil, 26 estados, ou seja: em dimensões somos próximos, mas não no contexto geral. Tendo sofrido duas guerras na primeira metade do século passado, a Europa conseguiu transformar-se no jardim turístico do mundo na segunda metade, graças ao mercado comum que abriu as fronteiras entre os componentes. Aqui, se o governo federal descentralizasse mais sua ação e cada estado buscasse mais a integração regional, poderia ter atuação semelhante, e poder-se-ia ter um plano bem racional. Não seria comparação ou cópia, porque as características são diferentes.

Brasília, inaugurada em 1960, criou um forte vetor, induzindo a população, até então assentada quase só na faixa litorânea, a se mudar para o interior. Para tanto, um programa de metas rodoviárias deu meios aos deslocamentos entre o sul e o norte e alcançando a Capital. Lamentável não ter havido continuidade nos anos seguintes, mas mesmo assim a ocupação do imenso interior se intensificou.

A União Europeia e outros países possuem órgãos que atuam em macro projeto, valorizando o interesse nacional e ajustando-o ao regional. No Brasil, o maior exemplo deste conflito é a questão da Amazônia, que vive sendo agredida por devastadores criminosos. A população é pela preservação, mas há habitante que lá vive da venda da madeira, até mesmo para carvão, que é a única fonte de seu sustento.

Na década de setenta, o governo federal retomou as metas incluindo dois grandes projetos: a Transamazônica, e a Ligação Rio Niterói. A primeira não foi concluída até hoje. A segunda, uma grande Ponte com 9 km sobre a Baia de Guanabara e mais 13 km em acessos às cidades, geraram impactos graves às áreas urbanas.

As nossas prioridades são projetos de infraestrutura que atendam ao conjunto, e que abram frentes de emprego. Na União Europeia diminuíram as diferenças regionais com programas como o de capital cultural e obras correlatas, comemorada a cada vez em diferente país. Aqui as demandas são outras, tais como a captação de esgoto que hoje só atende metade da população, a reurbanização de favelas, a melhoria da educação, a navegação de cabotagem no plano de transportes, a interligação dos segmentos ferroviários inconclusos, planos adequados ao uso do solo urbano, idem à expansão do agronegócio e outros.

O programa tem de atender a este tipo de questão e a sua sequência uma obrigação nas gestões públicas. Se os recursos forem queimados pela cegueira nos governos, o nosso desenvolvimento nunca chegará. Nunca teremos o futuro esperado.

ANTONIO F. PANIZZA é arquiteto e ex-secretário de Planejamento Urbano de Jundiaí.


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