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Vânia Mazzoni: Mentiras no currículo e justa causa

VÂNIA MAZZONI | 18/07/2018 | 05:00

Essa semana li várias notícias sobre a demissão por justa causa de um funcionário que havia mentido no currículo, apresentando um certificado falso de conclusão de curso. Mesmo trabalhando há dez anos na empresa, teve o recurso de indenização negado na Justiça do Trabalho. Outros casos de falsificação de certificados foram denunciados na empresa e os colaboradores envolvidos foram demitidos por justa causa. O que me causou espanto foi a comoção pública que questionou a empresa pelas demissões e a Justiça Trabalhista pelas decisões, já que o colaborador serviu ao trabalho por tantos anos. Li frases do tipo: “Ah, mas se ele era um bom funcionário a empresa agiu errado”, “A empresa deveria ter verificado isso antes, agora não faz sentido demitir” ou ainda “A empresa prejudicou o funcionário só por uma mentirinha no currículo”. Tudo o que li me fez pensar sobre quais são nossos valores e o que andamos defendendo. Só quero lembrar que falsificar documentos é crime – e ponto final.

Eu entendo a necessidade de quem está no mercado de trabalho em preencher os requisitos de uma vaga. É comum os casos onde os candidatos omitem, acrescentam ou exageram em alguma informação. Isso não acontece só aqui, o presidente do grupo Yahoo, Scott Thompson, deu informações “erradas” sobre suas credenciais acadêmicas e o ex-presidente da Hungria teve que renunciar ao cargo após ser acusado de plagiar sua tese de doutorado. Veja a mancha na carreira destas pessoas e imaginem se essas verificações começarem a acontecer no Brasil com profissionais que ocupam altos cargos públicos ou privados.

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Se você “maquiou” um pouco seu currículo, pense bem se realmente não vale a pena rever e fazer uma versão mais realista; ainda dá tempo. Hoje, com o uso da tecnologia, as equipes de RH – ao menos a minha equipe – estão preparadas para captar mentiras no currículo. Claro, não são especialistas em documentos fraudados, mas são treinadas para identificar qualquer divergência entre o que está no currículo e o que foi dito na entrevista. Quero lembrar aos que estão desprovidos de ética que, no âmbito trabalhista, mentir no currículo pode gerar justa causa e, no âmbito penal, pode responder por crime de falsidade ideológica. Vale a pena fazer uma reflexão sobre o que você quer para sua vida e para sua carreira. Por que não correr atrás de cursos para tornar aquela mentirinha habitual em formação de verdade? A escolha é sua.

VÂNIA MAZZONI é diretora de RH. Site: www.novarh.com.br / E-mail: marketing@novarh.com.br

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