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Vânia Mazzoni: Quem bate cartão de ponto?

VÂNIA MAZZONI | 13/03/2019 | 07:30

Há um tempo, chegar antes no trabalho e sair depois era sinal de comprometimento. O termo “vestir a camisa”, para além do desempenho esperado, era destinado a quem realmente se “casava” com a empresa. Será que hoje, vivendo novos tempos, passar tanto tempo dentro da empresa necessariamente significa produtividade?
Esta minha pergunta é para o colaborador que abre mão de outros momentos para executar uma tarefa e para o empresário que paga por estas horas a mais. Uma recente pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI) revelou que o brasileiro quer mais liberdade para negociar a flexibilidade no trabalho – mais de 80% dos entrevistados revelaram que gostariam de poder trabalhar em casa. Sabemos que existem dois modelos bastante usados hoje. O primeiro é do colaborador remoto, que trabalha a maior parte do tempo de casa. Em geral, profissionais liberais, consultores, e prestadores de serviços têm uma facilidade maior. O segundo modelo é aquele em que o colaborador é fixo na empresa, mas tem liberdade para trabalhar de casa desde que previamente combinado.
Os benefícios são muitos. Além de muitas vezes diminuir o custo da empresa com estrutura, trabalhar de casa pode ajudar na produtividade. Evitar o trânsito do deslocamento entre casa e trabalho pode gerar uma economia de tempo e um menor desgaste emocional. Com isso o dia pode ficar ainda mais produtivo.
Fugir da rotina de trabalho e determinar a quantidade de horas que devem ser trabalhadas, mas sem especificar horário e lugar, pode colaborar e muito com a qualidade de vida do profissional. Com disciplina e gestão de tempo é possível executar tarefas e organizar o dia inclusive para resolver problemas que não sejam relacionados ao trabalho.
Quem aqui já não passou o dia no local de trabalho tentando resolver coisas importantes da vida pessoal e ao final do dia se frustrou por ser incapaz de resolver tudo? Abrir a possibilidade de diálogo com a equipe, traçar metas qualitativas alcançáveis para aderir a este formato de trabalho pode incentivar e motivar o seu colaborar. Claro, tudo deve ser muito bem conversado, pois nem todo profissional tem o perfil para autogestão e isso pode ser muito frustrante. Cabe a cada um reconhecer suas limitações neste sentido.
Uma coisa cabe aqui: o gestor que motiva e dialoga com a sua equipe acaba por trabalhar com profissionais mais felizes e produtivos. Nem sempre as muitas horas extras e cartão de ponto impecável representam um bom colaborador!

VÂNIA MAZZONI é diretora de RH. Site: www.novarh.com.br / E-mail: marketing@novarh.com.br

vania mazzoni nova


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