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Vânia Mugnato – Gente que reclama do que ama

Vania Mugnato | 22/03/2020 | 08:00

Certa vez uma frase que dizia mais ou menos o seguinte me chamou a atenção: “nos atraímos pelas pessoas por suas diferenças, depois passamos a vida tentando fazê-las mudar”.

Realmente parece ser comum apreciar, simpatizar, se apaixonar, e amar aqueles que nos complementam por suas diferenças, e, ao percebermos que conquistamos a reciprocidade, passamos a tentar alterar neles certas características, como se fossem problemas. Ou melhor dizendo, amamos as pessoas como são até que sejamos por elas amados, depois passamos a vida criticando-as para que se adaptem ao modo como nós achamos que deveriam ser.

Por quais motivos queremos tanto mudar os outros? Por quais razões gastamos mais tempo discutindo e brigando para mudar alguém do que sendo exemplo do que acreditamos ser o modo correto de agir? Isso fica bem claro ao vermos uma situação acontecer e percebermos o óbvio: que quando uma pessoa importante vai embora, muda, desiste da relação ou morre, é que notamos o quanto gostávamos dela exatamente como era.

Por vezes esquecemos que a vida pode mexer suas peças num piscar de olhos e, de repente, tudo alterar. Tantas são as possibilidades que podem nos afastar fisicamente daqueles a quem amamos e então, talvez somente aí, notaremos que daríamos tudo para voltar a conviver com aqueles de quem tanto reclamávamos, sem nada mudar.

As leis naturais foram criadas pela providência divina e nos atraem para a convivência justamente com aqueles que precisamos aceitar como são. Vejam bem: aceitar não significa “deixar pra lá”. O erro ainda é um erro naqueles a quem amamos: a questão é decidir viver criticando quando podemos acolher alguém, mesmo percebendo que tem um comportamento negativo ou vicioso, e a partir da compreensão amorosa e do exemplo constante podemos fazer o possível para ajudar que se modifiquem.
Sem dúvida, não há ninguém perfeito na Terra. Temos coragem de julgar indiscriminadamente a outrem, mas e a nós mesmos?

Para a maioria é mais simples apontar o dedo e responsabilizar terceiros de todos os problemas da vida, mas será sensato fazê-lo? Certamente que não.  Aprendemos que é preciso amar o próximo como a nós mesmos. Todavia, sejamos do tipo que ama os estranhos, mas sem torturar afetivamente os mais próximos.

VANIA MUGNATO DE VASCONCELOS é advogada, articulista e palestrante espírita.


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