Opinião

Vânia Mugnato: Perante a pátria

Ser útil é ser reconhecido à nação que o afaga por filho, cumprindo rigorosamente os deveres que lhe tocam na vida de cidadão. Somos devedores insolventes do berço que nos acolhe. (Conduta Espírita, Francisco Cândido Xavier/ André Luiz) Nunca o brasileiro esteve tão perto da vida política. Nunca o cidadão acompanhou tanto o jogo político que tanto interfere em nossas vidas. Antes, o comportamento era de conformismo com o erro, aceitação do "rouba, mas faz", crença quase cega na ideia equivocada de que relações políticas e administração pública eram atividades para poucos, e os demais, maioria, deveriam apenas aceitar decisões impostas de cima para baixo. Não me refiro a lados, ideologias ou quem está certo ou errado. Eu não sei, desconheço quem possa afirmar. A questão é mais ampla e abrange a todos, não somente parcelas da população: a pátria precisa de quem vista sua camisa para defendê-la: no voto, na atuação política, na vida cotidiana. O Brasil é um belíssimo país, como belos são seus estados e municípios. Mas a intolerância, o desrespeito, a insensatez, o egoísmo, o caráter corroído pela ambição e desejo de poder, tudo isso mais desvios de conduta moral e comportamental de muitos cidadãos, criam para a nação que nos acolhe, e as dificuldades que repercutem em todos. Disse André Luiz, através de Chico Xavier, que somos devedores insolventes do país, significando que não é o país que nos deve. É certo que vivemos todo tipo de dificuldade e escassez, causadas, bem se sabe, por má gestão e desonestidade. Mas isso resultou de nossa omissão e desinteresse por tempo demais. Esse tempo acabou e felizmente despertamos. Sabemos que é preciso posicionamento e ação, mas falta ainda adquirir a noção de que somos navegantes do mesmo barco. Se afundar, não importará de que lado estivemos. É preciso observar melhor quem são os verdadeiros inimigos da pátria, não o nosso vizinho ou parente, mas aqueles que usam mal a nossa confiança. O respeito mútuo deve ser revivido, forças devem ser somadas em prol da coletividade e do país em que vivemos. Devemos ser responsáveis. O Livro dos Espíritos, na questão 802, esclarece que "não é por meio de prodígios que Deus conduzirá os homens. Na sua bondade, ele quer deixar-lhes o mérito de se convencerem através da razão". O trabalho a ser feito é nosso, não de Deus. VANIA MUGNATO DE VASCONCELOS é advogada, articulista e palestrante espírita.

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