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Vânia Mugnato: Uma hora vão ter que acordar para a vida

vânia mugnato de vasconcellos | 10/06/2018 | 03:00

No meio espírita se diz que “quem não vai pelo amor vai pela dor”. Parece clichê, mas é indiscutível que tem sido a dor a motivar a mudança do ser humano em muitas oportunidades. O título deste texto, falado por um caminhoneiro a motoristas que estavam na fila para abastecer mais caro durante a greve dos primeiros, mostra essa dificuldade do homem de aprender sem escolher a dor. A humanidade parece ter perdido a capacidade de “ser com o outro”, de sentir empatia, de dar as mãos nas lutas que favorecem a coletividade. Especialmente a população brasileira perdeu o patriotismo e o sentimento de cidadania e tornou-se individualista ao extremo, mesmo com seus rompantes de caridade e amor ao próximo.

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Parece contradição, todavia, há um trecho da música de Bezerra da Silva (“Meu Pirão Primeiro”) que tem sido bastante citado ultimamente: “Farinha pouca, meu pirão primeiro”. Enquanto há farinha, há caridade. Na escassez, cada um por si. Confesso tristemente que minha recente experiência no Japão salientou aos meus olhos a infeliz realidade no Brasil, de um povo que quer criar novo futuro sem agir de forma coerente com esse desejo. É um povo que ri de tudo, até da própria desgraça, e isso, que é bom a princípio, se torna negativo porque não só ri, mas também aceita a desgraça como o gado aceita ir para a entrada do abatedouro. Uma das leis morais descritas em “O Livro dos Espíritos” é a Lei de Progresso. Na questão 781, Allan Kardec pergunta se é permitido ao homem deter a marcha do progresso e a resposta expressa o que vemos dia a dia: “Não, mas pode entravá-la algumas vezes”. Grande parte da humanidade ainda busca aquilo que despreza e, na prática, despreza aquilo que deseja. Deseja paz, amor, união, honestidade, fraternidade, solidariedade e equilíbrio material, mas age de forma egoísta, pretensiosa, individualista e, às vezes, tão desonestamente quanto alguns de seus piores modelos. Não haverá um futuro melhor enquanto não se trabalhar por ele. E não existe nenhuma possibilidade de ser feliz sozinho, portanto o futuro melhor depende e será para todos! Certo estava o caminhoneiro ao dizer que “um dia todos terão que acordar para a vida”. Pena que ainda tantos escolham a dor como motivação, quando um pouco mais de união, boa vontade e amor resolveria tudo mais facilmente.

VÂNIA MUGNATO DE VASCONCELOS É ADVOGADA, ARTICULISTA E MILITANTE ESPÍRITA EM JUNDIAÍ


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