Jornal de Jundiaí | https://www.jj.com.br

Prefira viver

Vania Mugnato de Vasconcelos | 13/10/2019 | 06:00

“A calma e a resignação adquiridas na maneira de considerar a vida terrestre e a confiança no futuro dão ao Espírito uma serenidade que é o melhor preservativo contra a loucura e o suicídio”.
(Allan Kardec).

Não devemos minimizar as razões que levam uma pessoa a buscar a morte antes do tempo. Só a própria pessoa é capaz de avaliar o peso que carrega, a dor que sente, o vazio que experimenta, a desesperança que a atemoriza.

Não se trata de julgar se a procura pela morte é coragem ou covardia, pois, de fato, a decisão de morrer nasce de motivações internas que somente quem as vive pode avaliar.

Isso, contudo, não torna a morte antecipada um ato mais nobre ou correto. A dor pode explicar, mas não justifica o abandono de si mesmo nem soluciona o problema que levou a tal escolha, ao contrário, agrava a situação. A questão é que na vontade de morrer existe o engano terrível de que através do fim da vida carnal a pessoa escapará do que a tortura, pondo fim às angústias que sente.

O erro, pior do que se pode imaginar, é percebido imediatamente após a consumação do ato: a destruição do envoltório material não cessa a vida espiritual e a pessoa não deixa de sentir o que sentia antes da aniquilação do corpo que a aprisionava.

Havendo fim apenas para a vestimenta provisória a que chamamos corpo, a vida espiritual, moral e intelectual, continua vigorosa; não há fuga de si mesmo ou das experiências necessárias ao próprio desenvolvimento, de tal modo que se somam as dores do passado recente e do futuro antecipado.

Quem entende essa realidade racionalmente explicada pelo Espiritismo, sabe que a existência se prolonga indefinidamente no além-túmulo, que tudo que se é e sente vem de dentro de si e, não existindo fim, sentirá o mesmo posteriormente.

Para evitar o pior, devemos praticar a paciência e a resignação, no exercício da coragem moral que permite vencer um dia de cada vez.

O mundo é complexo e nem sempre se veem motivos para continuar. Mas é imperioso compreender que cada ação tem consequência, é urgente que se faça uma conscientização geral sobre as graves implicações espirituais do suicídio, das dores dos familiares, do impacto da violência à própria natureza, conhecimento que ajuda a diminuir a incidência desse crime.

Morrer não apaga a dor.
Busque ajuda, converse a respeito.
Prefira viver.


VANIA MUGNATO DE VASCONCELOS é advogada, articulista e palestrante espírita.


Leia mais sobre
Vania Mugnato de Vasconcelos
Link original: https://www.jj.com.br/opiniao/velho-nao-esta-com-nada/
Desenvolvido por CIJUN