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Videogame arruma emprego

JOSÉ RENATO NALINI | 09/06/2019 | 07:30

Os empregos estão terminando. Os milhões de desempregados sabem disso. A receita é empreender, tomar a iniciativa de sobreviver exercendo atividade que não dependa de patrão. Mas nem todos ainda conseguem se acostumar com a realidade. A transição é dolorosa. Há gente que nasceu para obedecer. Não consegue desenvolver ocupação que não esteja garantida por um contrato de trabalho.

Seja como for, os empregos que ainda estão no mercado levam em consideração outras experiências, que não as tradicionais. Educação é um diferencial. Prática anterior também. Mas saber jogar videogames é algo que influencia na contratação de um novo colaborador profissional.

A realidade virtual é familiar a quem pratica videogames. Os fãs dos jogos têm facilidade para estudar design e desenvolvimento de jogos. Os games são mais populares do que nunca. Floresceram como resultado da cultura geek e convivem com uma tecnologia que está em todos os espaços e em todos os lares.

Isso porque os gamers são pessoas que, ao receberem instruções, conseguem descobrir porque elas foram editadas. Jogadores ávidos conseguem prever o inesperado, estão acostumados com a tensão propiciada pelos desafios da tela. Houve uma virada cultural nos Estados Unidos e os brasileiros têm facilidade em se adaptar a essa realidade. Como os jogos se tornam cada vez mais complexos, eles se aproximam de muitas modalidades de trabalho. Um exemplo é o game que exige a formação de equipe, atuar em conjunto, cooperar e colaborar para que o resultado seja satisfatório para todos.

Quem aprende a enviar mensagens e a descobrir estratégias para vencer um jogo, também se utiliza dessa expertise no ambiente de trabalho. O videogame, quem diria, se fosse um adulto antiquado e desgostoso porque seu filho adolescente passa horas em frente às telinhas, ajuda a despertar capacitações imprescindíveis para o mundo da 4ª Revolução Industrial.

Atributos como liderança, empreendedorismo, dedicação e organização, resultam desse tempo despendido diante de algo que nós, adultos, sempre acreditávamos fosse perda de tempo. O mundo é outro. Quem não se aperceber disso está condenado a amargar derrotismo e a se resignar à gélida alienação.

 

JOSÉ RENATO NALINI é Reitor da UNIREGISTRAL, docente da Pós-Graduação da UNINOVE e Presidente da Academia Paulista de Letras – 2019-2020.

JOSÉ RENATO NALINI


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