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Yeda: 30 anos de escultura em exposição

Eduardo Pereira | 25/01/2020 | 07:30

As esculturas em ferro, aço corten, inox, alumínio, chapas e vergalhões nas esculturas de Yeda fazem o espaço parecer uma viagem na fantasia do objeto construído. Cheio de surpresas e significados, como a escultura “O livro” – folhas vazias de ferro com letras aleatórias, que no movimento das páginas escrevem mensagens inesperadas e surpreendentes – ou na caixa de letras vazadas em folhas de flândres.

A iniciativa da artista e escultora tem o sentido de oferecer ao lugar uma maneira inédita de expor: com influência construtivista dos artistas contemporâneos como Ligia Clark, e de interação com o público, muito presente em Hélio Oiticica.

A ideia dos caminhos pela linha é assertiva: nas mãos de Yeda, ela vira escultura tridimensional. O resultado do desenho é quase formal, ainda que a intenção fosse abstrata. É possível ver as imagens da instalação “Linha Sólida” – um site específico para a Capela do Morumbi – São Paulo, em 2005 – agora reinstalada na 1º sala da Pinacoteca. A oferta generosa dessa artista para a cidade é um presente para todos, um prestígio para Jundiaí, um programa imperdível.

Na “Fábrica de Arte Marcos Amaro”, a FAMA Campo, na cidade de Mairinque, uma imensa obra da artista Márcia Pastore que, construída no meio de um sitio vazio, acaba por valorizar o lugar. Em Jundiaí, mesmo com as obras em movimento desse conjunto, vale a ideia dessa grande valorização da Pinacoteca.

O mais emblemático desses exemplos é a inauguração hoje do novo e definitivo Paço das Artes (ler em https://bit.ly/2GmbsSk – Folha de São Paulo) da exposição “Limiares” de Regina Silveira.

Todas essas mulheres estão sendo chamadas para coleções e participações em museus. A “Guerrilla Girls” – artistas feministas anônimas que combatem o sexismo e machismo no mundo das artes (desde 1985) – são emblemáticas e vitoriosas, desse movimento que o MASP (Museu de Arte de São Paulo) iniciou dedicando o ano passado para artistas mulheres, que bateu o próprio recorde de visitação com a exposição “Tarsila Popular“.

Nestes tempos sombrios, onde há omissão do Estado no quesito arte, e em que ouvimos discursos baseados em Goebbels, é uma luz ver essas exposições de mulheres nos diversos lugares da cultura.

Vamos ajudar a movimentar a Pinacoteca, vamos apreciar e divulgar esses “Caminhos Da Linha“. Viva as artistas mulheres!
Começa hoje, das 11 às 16 horas e vai até 08/03/2019 com curadoria de João Borin.

Eduardo Pereira é arquiteto e urbanista.


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Link original: https://www.jj.com.br/opiniao/yeda-30-anos-de-escultura-em-exposicao/
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