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Yesterday ou Feliz Natal

GLAUCO GUMERATO RAMOS | 24/12/2019 | 07:30

Lançado no início do segundo semestre, o filme britânico homônimo à música de Paul McCartney é muito simpático e nos remete à especulações interessantes a partir do seguinte problema: “como seria o mundo se algum fato de transcendência em nossas vidas não tivesse existido”.

Aos que já ouviram falar do filme sabem que seu protagonista sofre um acidente, bate a cabeça e acorda após alguns dias. O incidente ocorre dentro dos doze segundos em que houve um “apagão” no planeta, cuja causa não foi identificada. O acidentado, que era um músico medíocre, já recuperado após alguns dias se reúne com amigos para comemorar seu restabelecimento. Estão todos à beira de um lago e ele começa a dedilhar no violão, e a cantar, Yesterday. Estupefatos com a graça da música, os amigos lhe perguntam quando a compôs. Perplexo, responde que não foi ele, mas McCartney. “Quem?”, lhe indagam! A partir daí o protagonista começa a se dar conta que os Beatles não haviam existido no mundo, e com base nessa constatação o filme se desenvolve, como se os quatro magos de Liverpool jamais houvessem existido no planeta Terra.

Projete essa ideia para o mundo que nos cerca e para as nossas próprias experiências pessoais. Imagine se fatos relevantes no mundo, ou mesmo na particularidade de nossas vidas, não houvessem existido. Imagine o Brasil sem o futebol, sem Pelé? Imagine o século XX sem as duas guerras mundiais?

Imagine que pessoas importantes de sua vida, como seu pai ou sua mãe, por exemplo, não tivessem partido tão cedo, sem ao menos conhecer os próprios netos? Enfim, imagine que fatos que impactaram para o bem ou para o mal a sua vida jamais tivessem acontecido?.

Esse tipo de exercício reflexivo, apesar de interessante,no fundo é de todo inútil. As experiências ocorridas no mundo ou em nossas vidas só ganharam a relevância que apresentam exatamente porque existiram. Se elas não tivessem existido sequer saberíamos delas, tampouco poderíamos avaliar sua importância. Em miúdos: o que não existiu como realidade experimentada não existe para o mundo dos sentidos. Nada mais é do que esboço intocável do plano do desconhecido.

À meia-noite de hoje celebra-se um acontecimento de grande relevância cósmica na trajetória da humanidade, e isso independe da vocação religiosa ou agnóstica de cada um. Impossível imaginar como seria o mundo sem a data de amanhã e todas as realidades que a partir dela se concretizaram na história. Impossível imaginar como seria o mundo sem a mensagem concreta de que a condição humana faz de nós todos Irmãos. Feliz Natal!

GLAUCO GUMERATO RAMOS é advogado. professor da FADIPA e diretor de Relações Internacionais da ABDPro.


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