Polícia

Em semana de repercussão do caso Robinho, Jundiaí tem dois estupros

GRAVE Além de dois estupros consumados, houve ainda uma tentativa, em que um criminoso tentou arrastar uma estudante para um barraco, em matagal


alexandre martins
O barraco, montado no meio do mato, é utilizado por moradores de rua e a vítima acredita que estava sendo levada para ser estuprada neste local
Crédito: alexandre martins

Na mesma semana em que o Brasil repercutiu a possível contratação, pelo Santos, do jogador de futebol Robinho, condenado em primeira instância, na Itália, por participar de um estupro coletivo naquele país, Jundiaí registrou dois crimes brutais desse tipo. Houve, ainda, uma tentativa de estupro contra uma estudante de 25 anos, cuja publicação do Jornal de Jundiaí recebeu o seguinte comentário de um leitor: "Jundiaí virou terra de estuprador, parece epidemia, todo dia alguém é estuprada na cidade".

Apesar da comoção e indignação da população, números da Secretaria de Segurança Pública (SSP) revelam queda de estupros no município, neste ano. De janeiro a agosto, 12 casos foram registrados e encaminhados para investigação na Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) - esse número, já se sabe, foi superado por crimes ocorridos em setembro e outubro e que ainda serão divulgados oficialmente. Neste mesmo período, no ano passado, 19 estupros haviam sido cometidos.

O crime, inclusive, é considerado 'silencioso', uma vez que grande parte dos casos ocorre dentro de casa ou em outros ambientes fechados, sendo impossível o seu combate por forças de segurança em patrulhamento nas ruas. Em São Paulo, por exemplo, 78% dos estupros foram a portas fechadas.

Em entrevista recente ao JJ sobre dados de janeiro a julho, na área do 49º Batalhão de Polícia Militar, em Jundiaí, o comandante tenente-coronel Marco Basílio, informou. "Podemos destacar que, no tocante aos crimes de estupro, em 85% dos casos o crime ocorreu dentro da residência, o que inviabiliza a ação preventiva da PM", disse.

A análise foi compartilhada pelo major André Antônio da Rocha Souza, com relação aos casos ocorridos nos bairros atendidos pelo 11º Batalhão. "A maior parte dos crimes é cometido dentro de casa, impossibilitando a ação da PM".

Considerado hediondo, mesmo sem morte, a pena no Brasil é de 6 a 10 anos de reclusão para o criminoso, aumentando para 8 a 12 anos se houver lesão corporal da ou se a vítima possuir entre 14 a 18 anos de idade; e para 12 a 30 anos de reclusão, se a conduta resultar em morte.

Casos recentes

Dia 6 - A DDM investiga uma denúncia de estupro, que teria sido cometido por um homem de 43 anos, contra a própria irmã, de 34, no bairro Vila Alvorada, em Jundiaí, no dia 6 deste mês. O caso, porém, foi registrado no último dia 12. A vítima relatou aos policiais que estava em casa com seu irmão, quando resolveram sair, de carro, para comprar bebidas. Apesar de em seu depoimento ela dizer que não se lembra de detalhes do crime, afirmou ter 'flashes' do irmão a estuprando dentro do carro.

No dia seguinte, com dores e hematomas, suspeitando do que poderia ter acontecido, a vítima questionou o irmão. Segundo seu relato à Polícia, o irmão confirmou que fez sexo com ela, descontrolado por estar alcoolizado e ter feito uso de drogas.

Dia 11 - Um adolescente de 17 anos foi apreendido por policiais militares, em flagrante, no bairro Ivoturucaia, minutos depois de estuprar uma mulher de 28 anos, que é deficiente mental. O crime, registrado como estupro de vulnerável, foi cometido diante da mãe da vítima, de 52 anos, que segundo a PM, estava alcoolizada. Ela foi presa em flagrante, por omissão, enquadrada no crime de estupro de vulnerável. O caso está sob investigação.

Dia 14 - Uma estudante de 24 anos, que mora em um condomínio na região do bairro Recanto Quarto Centenário, foi atacada por volta das 18 horas, quando saía de um lago próximo, rumo à sua casa. O criminoso a segurou pelo braço, utilizando um graveto como arma, a puxando para um matagal na direção de uma tenda, possivelmente usada por moradores de rua e que fica no meio de um matagal. A vítima conseguiu fugir após se desvencilhar e gritar. O caso também está sob investigação.


Notícias relevantes: