Polícia

Cresce 92% o total de crianças vítimas de estupro em Jundiaí

ABUSO SEXUAL Aumento de casos ocorreu no primeiro trimestre de 2021, comparado com o mesmo período em 2020, segundo SSP


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No primeiro trimestre foram 25 crianças estupradas, contra 13 em 2020
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Sem aulas presenciais e com conselhos tutelares funcionando a distância, o estupro de vulnerável aumentou 92,3% no primeiro trimestre de 2021 em comparação com o mesmo período no ano passado, em Jundiaí, de acordo com dados da Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo. A SSP informou em nota oficial que os principais abusadores são familiares ou pessoas que têm relação com as crianças, tal como vizinhos.

De janeiro a março deste ano foram computados 29 casos de estupro na cidade, dos quais, 25, ou seja, 86,2%, foram contra crianças, adolescentes ou adultos incapazes. No primeiro trimestre de 2020, foram 19 casos ao todo, 10 a menos do que em 2021, sendo 13 contra vulneráveis.

Caso sejam somados o estupro de crianças e de adultos, o aumento de um ano para o outro seria de 52,6%, mas isolando apenas o número de crianças abusadas sexualmente, chega a 92,3% mais vítimas do que em 2020.

De acordo com o juiz da Vara da Infância e Juventude de Jundiaí, Jefferson Barbin Torelli, o número de famílias que chegaram a perder a guarda das crianças devido aos casos de estupro não aumentou na mesma proporção. "Não tenho estatísticas exatas, mas não sentimos um aumento tão intenso. Acredito que o número de famílias que perderam o pátrio poder segue semelhante ao do ano passado", afirma.

Para ele, a pandemia é a principal culpada pela situação, já que inviabilizou a atuação presencial de alguns órgãos, como é o caso do Conselho Tutelar. Torelli diz, ainda, que o mais importante é fortalecer a rede de apoio e proteção da criança e do adolescente para tentar prevenir o abuso sexual no futuro. "Jundiaí tem uma rede bem estruturada, com Centros de Referência, Núcleo de Assistência Social", justifica.

Procurado, o Conselho Tutelar não se manifestou sobre o aumento dos casos de estupro de vulnerável, tampouco sobre como tem sido o acolhimento dessas vítimas.

A Secretaria da Segurança Pública informou, ainda, que a variação destes indicadores é alvo de análises por parte da Pasta. "Para combater essa prática, o estado de São Paulo tem intensificado as operações de combate à violência sexual e as ações para reduzir a subnotificação desses crimes, inclusive com a realização de campanhas para estimular a denúncia contra esses agressores. Nos três primeiros meses deste ano, 251 criminosos foram presos por estupro no Estado e 719 por estupro de vulnerável."

Denúncias podem ser feitas anonimamente pelo telefone 181.

MP PEDE RETORNO

Na semana passada, o Jornal de Jundiaí informou, com exclusividade, que o Ministério Público de Jundiaí recomendava o retorno das aulas presenciais para coibir a violência contra crianças. Segundo a promotora Ana Beatriz Vieira, que atua na Vara de Infância e Juventude, os professores são os "olhos" da rede de proteção à criança. Para ela, só o olhar constante do professor e de agentes comunitários de saúde pode detectar os sinais iniciais do abuso. Também com exclusividade, o JJ divulgou que Defensoria Pública levará o Conselho Tutelar ao MP, para averiguar se a falta de atendimento presencial causa dano.


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