Polícia

Patrulha atende 57% mais medidas protetivas em 2021

VIOLÊNCIA DOMÉSTICA Medidas protetivas são a porta de entrada de casos e por isso a GM dobrou o número de atendimentos


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A GM Andréia Melo, do Guardiã, diz que com a pandemia violência que antes era moral passou a ser física
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Aumentou 57% o número de medidas protetivas recebidas pela Patrulha Guardiã Maria da Penha, da Guarda Municipal de Jundiaí, no primeiro trimestre deste ano. De janeiro a março de 2020, 52 mulheres recorreram à justiça para escapar de seus agressores e o isolamento acaba contribuindo para essa estatística.

No mesmo período nesse ano foram 83 vítimas que precisaram de medidas protetivas. O número de mulheres atendidas pela GM também quase dobrou em 2021, mas esse aumento está relacionado ao fato de que antes o atendimento era em horário comercial de segunda a sexta-feira e agora é feito em escalas de 12h todos os dias da semana.

A principal preocupação da patrulha é a mudança no perfil das agressões. Antes da pandemia, a principal violência era a moral, com ofensas e xingamentos. De acordo com a GM Andréia Melo, idealizadora do programa, agora esse gráfico se inverteu. "Hoje a principal violência é a física. Lesão corporal e ameaça aumentaram demais."

Para ela, o isolamento acaba contribuindo para essa estatística, já que o agressor se sente mais seguro entre quatro paredes. "A gente consegue entender que antes essas mulheres eram atacadas em um cenário que favorecia o xingamento apenas, porque elas saiam de casa e os machucados seriam visíveis. Hoje essa vítima está acuada dentro de casa, não pode sair. A violência física acaba sendo facilitada nesse cenário", considera.

PREVENÇÃO

A principal porta de entrada das mulheres no programa é a medida protetiva. "Nós recebemos as medidas do Ministério Público e começamos o trabalho."

O programa atua na prevenção da reincidência da violência e, a partir disso, inicia um trabalho de fortalecimento da mulher e enfraquecimento do sentimento de posse do agressor. "Mais de 70% dos nossos casos ocorrem porque o homem não aceita a separação e sente que tem direito sobre o corpo e o futuro da mulher. Ele não aceita que ela esteja com outro ou simplesmente que ela se afaste dele e por isso a ameaça ou agride."

O sonho da guarda municipal é conseguir expandir o trabalho para a prevenção real, orientando as mulheres de forma a evitar que qualquer agressão ocorra. "Estamos fazendo panfletos e vamos começar a divulgar. Também já fizemos palestra em escolas, que é o principal canal para divulgar a prevenção da violência doméstica."

ACOMPANHAMENTO

Em janeiro, a especializada realizou 327 atendimentos. Já em fevereiro, o número subiu para 612 e seguiu no mesmo patamar em março, com 614 atendimentos realizados. Esse aumento foi possível com a inclusão de mais guardas e o prolongamento do horário, que antes era das 8h às 17h durante a semana apenas e agora ocorre das 6h às 18h todos os dias. "Não temos patrulha à noite porque o foco é acompanhar os casos, visitar as mulheres durante o dia, orientá-las. À noite o que recebemos são chamados de flagrantes e nisso todo o efetivo da GM atua", explica Andréia.

Ela faz questão de ressaltar que número de atendimento não é o mesmo que número de mulheres atendidas. "Nós classificamos as mulheres de acordo com o grau de risco que elas correm em grupo verde, amarelo e vermelho. Quem está com grau de risco vermelho vai receber muito mais visitas porque precisamos estar atentos."

GRAU DE RISCO

Há dois anos, quando o projeto foi lançado, 70% dos casos eram grau vermelho, hoje gira em torno de 30%. "As pessoas já sabem como funciona, então quando começamos a visitar as mulheres, os agressores já tendem a se afastar. E quando eles não se afastam, nós os prendemos", afirma, orgulhosa dos resultados.

Esses graus são definidos em uma conversa com a vítima, analisando a situação e o quanto a agressividade do autor já escalou nos últimos tempos, se ainda são xingamentos ou se já houve agressões, ameaças de morte. "Por exemplo, se o agressor trabalha na área de segurança ou tem uma arma em casa eu já vou classificar como grau vermelho." Cada mulher costuma ficar sob os cuidados da Guardiã Maria da Penha em torno de quatro a seis meses. "É o tempo médio para que o agressor a deixe em paz, mas varia muito de caso a caso. E, é claro, elas continuam tendo o canal aberto para pedir ajuda a qualquer momento."

CAPACITAÇÃO

Andreia Melo também atua como instrutora no curso de formação de guardas municipais, justamente para garantir que todo o efetivo da corporação saiba atender a um chamado de violência doméstica. "No curso explicamos como funciona a medida protetiva e que tipo de acolhimento precisa ser oferecido às vítimas."


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