Polícia

Jundiaí é a 3ª cidade com mais roubos de carga no estado

PERIGO NA ESTRADA Segundo estudo, crescimento do e-commerce por causa da pandemia é um dos fatores que levaram à estatística


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A cidade registrou 71 roubos de carga nos 8 primeiros meses do ano de 2021
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Jundiaí está em terceiro lugar no ranking de cidades com mais roubos de carga registrados nos primeiros seis meses de 2021. De janeiro a junho foram 55 roubos de carga na cidade, dois a mais do que no mesmo período em 2020, segundo dados da Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo. Contudo, nos meses de julho e agosto, esse número deu um salto, chegando a 71 ocorrências. Estudo aponta que o crescimento do e-commerce devido à pandemia é um dos motivos para o aumento de roubos de carga.

A mesma quantidade foi registrada nos oito primeiros meses do ano passado, porém no mês de agosto houve apenas duas ocorrências, o que significa um aumento de 550% em agosto de 2021, já que 11 casos foram registrados.

Nos primeiros meses do ano, o número de roubos de carga na Região de Jundiaí estava tão alarmante, que em maio uma operação foi comandada pela Delegacia de Investigações Gerais de Jundiaí (DIG) a fim de coibir essas ocorrências. Foram realizadas ações em todas as cidades da Região.

As demais polícias também contribuíram, com reforço em patrulhamento ostensivo. A Polícia Militar realizou ações em conjunto com a Guarda Municipal de Jundiaí em bairros próximos às rodovias, o que conteve as estatísticas por um período. Em maio, junho e julho foram registrados 3, 8 e 5 casos, respectivamente, bem menos do que a média de 11 a 13 dos quatro primeiros meses.

Contudo, em agosto esse número voltou a subir. A PM voltou a realizar operações e, essa semana, já conseguiu prender criminosos em uma rodovia da Região transportando 75 tijolos de pasta base de cocaína e dinheiro, embora ainda sem novas prisões de membros da quadrilha responsável pelos roubos de carga nas proximidades.

RANKING

Enquanto Jundiaí é a terceira cidade com mais roubos de carga, o topo do ranking ficam com São Paulo, em primeiro lugar, e Guarulhos na sequência.

A comparação entre as cidades é impossível, no entanto, já que SP tem 12,33 milhões de habitantes, Guarulhos 1,4 milhão e Jundiaí apenas 419 mil, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2019.

ESTUDO

O Estado de São Paulo registrou 2338 ocorrências de roubo ou furto de caminhões, caminhões-trator, reboques e semirreboques, nos seis primeiros meses de 2021. Uma alta de 2,19% em relação ao primeiro semestre do ano passado. Foram 1937 roubos (alta de 4,65%) e 401 furtos (queda de 8,24%). Os dados acabam de ser publicados no Boletim Econômico Tracker-FECAP, a partir da análise dos boletins de ocorrência registrados pela Secretaria de Segurança Pública.

O estudo analisou os quatro tipos de veículos separadamente. A quantidade de roubos e furtos de reboques, até junho de 2021 (154 ocorrências), já se aproxima do patamar dos acumulados de 2019 (212 registros) e do ano passado (189 ocorrências). E a quantidade de roubos de caminhões, nos seis meses de 2021, já representa 53,97% do registrado em todo ano de 2020.

"Durante a pandemia, o trânsito de automóveis reduziu consideravelmente nas grandes cidades. Em contrapartida, caminhões, utilitários e motos ganharam mais destaque, à medida em que os brasileiros aumentaram a demanda de compras online e por aplicativos de delivery", analisa o diretor Comercial do Grupo Tracker, Rodrigo Abbud.

Para o coordenador do estudo e professor do Departamento de Pesquisas em Economia do Crime - FECAP, Erivaldo Costa Vieira, a retomada econômica do setor de transportes, serviços auxiliares aos transportes e correios contribuiu para esse aumento. "Em junho de 2021, o número de roubos e furtos a caminhões e reboques teve alta de 7,22%, na comparação com junho de 2020. No mesmo período, o setor cresceu 25,1%. Analisando o ano de 2020, os roubos e furtos a caminhões e reboques sofreram uma diminuição das ocorrências de 23,57%, quando comparado a 2019. No acumulado do ano passado, o setor de transportes registrou recuo de 9,3%, no estado de São Paulo, de acordo com dados do IBGE".

Segundo o Grupo Tracker, os bandidos dão preferência para produtos alimentícios, combustíveis, têxteis, eletrônicos, bebidas, cigarros, defensivos agrícolas e itens farmacêuticos. Estima-se que uma carga roubada seja vendida por "meia nota", ou seja, 50% do valor total da nota fiscal da mercadoria em questão.


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