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'Lembra a escravidão', diz ouvidor sobre homem negro algemado a moto da PM


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Homem negro é algemado a moto da PM
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A Ouvidoria das polícias do Estado de São Paulo formalizou nesta quarta-feira (1) de manhã um pedido à PM (Polícia Militar) de apuração do caso do homem negro algemado junto a uma moto da corporação em movimento. O episódio, ocorrido na tarde desta terça na avenida Professor Luiz Ignácio Anhaia Mello, na zona leste da capital paulista, foi registrado em vídeo.

"A imagem é degradante e choca. Lembra do período da escravidão, quando os negros eram submetidos a esse tipo de humilhação e constrangimento", criticou o ouvidor Elizeu Soares Lopes.

O PM que conduziu a moto pode responder pelos crimes de tortura, racismo e abuso de autoridade.

Na gravação, é possível ver o homem correndo atrás do veículo enquanto o policial militar acelera. Pessoas por trás da câmera dão risada e uma delas debocha: "Olha, algemou e está andando igual a um escravo. Vai roubar mais agora?", questiona. A investigação também está sendo acompanhada pela Comissão de Direitos Humanos da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) e pelo Grupo Tortura Nunca Mais.

Em nota, a PM-SP confirmou a instauração de um inquérito policial militar para apurar o caso e o afastamento do agente envolvido na ação. "A Polícia Militar repudia tal ato e reafirma o seu compromisso de proteger as pessoas, combater o crime e respeitar as leis, sendo implacável contra pontuais desvios de conduta", informou um dos trechos da nota.

OUVIDOR VÊ ILEGALIDADE

Lopes diz ver ilegalidade na ação e afronta à democracia. "Vivemos em um Estado democrático de direito. Não podemos admitir justiçamento ou que pessoas sejam submetidas a uma situação de vexame", declarou.

De acordo com a TV Globo, o homem negro algemado junto à moto da PM foi preso por suspeita de tráfico de drogas. Segundo a reportagem, ele estava em uma moto e colidiu contra uma ambulância ao tentar escapar da abordagem policial. Com ele, a PM afirmou ter apreendido 12 tabletes de maconha.

A Ouvidoria das polícias de São Paulo diz tratar o caso como prioridade. "Esse tipo de situação não pode voltar a acontecer em São Paulo, no Brasil ou em qualquer lugar do mundo."



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