Jundiaí

As vantagens e perigos escondidos no cigarro eletrônico

TROCA Embora menos maléfico que a nicotina, o uso dos vapes pode trazer inflamação aos pulmões, insuficiência respiratória, além de bronquite e asma


                                ALEXANDRE MARTINS
Aguinaldo Matos afirma que o vape lhe trouxe diversos benefícios
Crédito: ALEXANDRE MARTINS

O uso do cigarro eletrônico ou vape, como são chamados, tem se popularizado entre o estilo de vida dos jovens e adultos, especialmente aqueles que desejam largar o vício no tabagismo.

As principais diferenças entre um cigarro comum para o vape estão nas substâncias. Há no cigarro comum mais de 4700 substâncias tóxicas nocivas ao organismo, das quais mais de 70 são cancerígenas, além da alta concentração de nicotina, psicoativo que desencadeia a dependência no usuário. Já nos vapes encontramos substâncias como a glicerina e o propilenoglicol, geralmente de origem vegetal, os aromatizantes e doses menores de nicotina.

Muito se tem discutido se a troca do cigarro comum pelo eletrônico é eficaz. Alguns usuários relatam que a substituição de um cigarro comum para os vapes trouxe diversos benefícios à saúde. Aguinaldo Matos Frutuoso, de 41 anos, afirma que sua experiência com o vape diminuiu as doses de nicotina e aos poucos foi largando seu vício pelo cigarro. "Em 2013, eu vi um estudo britânico onde pessoas que usavam o cigarro podiam optar pelo vape. Então busquei várias informações sobre o vape e finalmente decidi fazer a troca." Aguinaldo afirma que, além de diminuir os níveis de nicotina e outras substâncias tóxicas contidas no cigarro, o vape lhe trouxe várias vantagens como a perda do mau cheiro provocado pela fumaça impregnada em suas roupas, a vitalidade de sua pele ao diminuir as rugas e ressecamento, perda do mau hálito, o olfato e paladar devolvidos na alimentação e especialmente a melhora na insônia e ansiedade motivadas pela abstinência à nicotina.

O jovem Douglas Renan Zomignani Falchett, de 22 anos, também comenta sobre seu processo de substituição do cigarro convencional para o cigarro eletrônico. "Comecei a fumar cigarro com meus 14 ou 15 anos, nas rodinhas de amigos onde eu tinha na cabeça que era descolado fumar cigarro. Como eu já trabalhava na época eu podia bancar com os custos. Fui comprando aqueles cigarros de sabor, e fumava de vez em quando. Após perceber que estava criando certa dependência pelo cigarro, Renan decidiu largar o vício antes que ele pudesse trazer prejuízos ainda maiores. "Se eu continuasse fumando com 22 anos, quando eu chegasse aos 40 provavelmente eu estaria fumando de dois a três maços por dia, meus pulmões e todo meu sistema de saúde estariam comprometidos. A minha ideia é trazer cada vez menos nicotina para dentro do meu corpo, até chegar ao ponto de parar de fumar", explica.

Em contrapartida, o pneumologista Eduardo Leme Ferreira, de 64 anos, professor da Faculdade de Medicina de Jundiaí e médico do Hospital São Vicente de Paulo faz algumas observações sobre as desvantagens disfarçadas de benefícios causadas pelo cigarro eletrônico. "Mesmo sem conter todas as substâncias prejudiciais que um cigarro comum oferece, os vapes também podem provocar inflamações nos pulmões, insuficiência respiratória ou agravar os quadros de asma e bronquite", comenta. O médico também adverte sobre os metais pesados como o níquel, alumínio e o ferro contidos no vapor do vape e que, se ingeridos em grandes doses, podem gerar lesões no organismo dos usuários. "Os cigarros eletrônicos não carregam o potencial de fazer com que o dependente largue o vício e nem é menos nocivo que um cigarro comum, é como trocar o sujo pelo mal lavado", finaliza.

 


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