Polícia

Jundiaí registrou 135 medidas protetivas no últimos 3 meses

VIOLÊNCIA DOMÉSTICA Dentre os tipos de casos identificados, destacam-se violência física, violência psicológica e violência moral


ARQUIVO PESSOAL
Jamila Ferrari alerta para a urgência nas denúncias contra violência
Crédito: ARQUIVO PESSOAL

A Guarda Municipal de Jundiaí registrou, nos últimos três meses, 135 medidas protetivas de urgência contra casos de violência doméstica, sendo 29 medidas em setembro, 55 em outubro e 51 em novembro, segundo dados da Unidade de Gestão de Segurança Municipal.

De janeiro a novembro de 2021, foram 391 registros. Dentre os tipos de violência identificadas nas medidas protetivas ativas, destacam-se violência física, violência psicológica e violência moral. Já nos atendimentos técnicos é observado que, muitas vezes, antes das violências físicas serem cometidas pelos autores da agressão, há outras violências sofridas: violência psicológica, sexual e patrimonial.

AGRESSÃO

Um destes casos registrados no município aconteceu na última terça-feira (30), quando uma mulher, de 44 anos, foi agredida e teve parte do cabelo arrancado pelo companheiro. O filho dela, de 7 anos, que tentou defender a mãe, também levou um soco do agressor. O autor foi preso em flagrante e recolhido ao Centro de Triagem de Campo Limpo Paulista. As vítimas foram encaminhadas ao Hospital São Vicente.

De acordo com a coordenadora das Delegacias de Defesa da Mulher (DDM), do Estado de São Paulo, Jamila Jorge Ferrari, a flexibilização do isolamento social nos últimos meses contribuiu para que as denúncias feitas pelas vítimas aumentassem. "Com a retomada das atividades presenciais, as vítimas voltaram a passar mais tempo sozinhas, sem a presença do agressor, seja no trabalho, na escola, entre outros ambientes. Acredito que este fato contribuiu muito para que mais denúncias fossem realizadas nos últimos três meses, o que também explica o aumento de registros", afirma Jamila.

COMO DENUNCIAR

Para denunciar casos de violência doméstica, em primeiro lugar, a vítima deverá registrar um boletim de ocorrência, através da DDM, delegacia eletrônica ou comparecer na delegacia mais próxima do bairro. Se a vítima for menor de idade, ela deverá comparecer à delegacia acompanhada pelos pais ou responsáveis. "Caso a vítima esteja machucada é crucial que ela priorize o atendimento médico antes de tomar qualquer outra decisão", diz a coordenadora das DDMs.

Além das delegacias, a Central de Atendimento à Mulher presta atendimento e acolhe as mulheres em situação de violência através do telefone 180. O serviço registra e encaminha denúncias de violência contra a mulher aos órgãos competentes.

AÇÕES

Infelizmente ainda é muito comum que as vítimas tenham medo, vergonha ou insegurança de irem até a delegacia denunciar o agressor, visto que uma das formas de controle realizado pelo autor do crime refere-se a condutas visando o afastamento social da mulher, dificultando seu acesso à rede de apoio, bem como a violência psicológica.

Como forma de encorajar as vítimas de violência doméstica a denunciarem os agressores, as equipes da Patrulha Guardiã Maria da Penha, da GMJ, realizam palestras preventivas, visando a divulgação do trabalho desenvolvido em prol das assistidas, bem como encorajando as mulheres em determinados ciclos de violência e para a reconstrução de suas vidas com respeito e dignidade.

Para as mulheres que estão em situação de ameaça de morte, a Unidade de Gestão de Desenvolvimento e Assistência Social (UGADS) oferece a Casa Sol. Neste ano, até o momento, foram acolhidas 18 mulheres e 23 dependentes e no momento não há mulheres acolhidas no local.

Jundiaí é um dos poucos municípios a possuir o equipamento, que está instalado em local sigiloso. Durante o abrigamento, é disponibilizado atendimento técnico com elaboração de plano de ação, havendo articulação com a rede de serviços, visando a superação da violência contra a mulher.

O tempo de permanência no abrigo pode ser de até 90 dias, podendo ser ampliado mediante avaliação técnica, mas costuma ser inferior, uma vez que nesse período é deferida a medida protetiva de urgência, e o autor da agressão ou é notificado ou tem seu pedido de prisão expedido pelo Poder Judiciário.


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