Polícia

Delegado pede à Justiça para que não solte homens presos em flagrante

A Justiça acompanhou o requerimento pela prisão preventiva e ambos foram levados para o CDP


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Carvalhaes disse que fez o pedido por entender que é necessário interromper o que ele define como "ciclo vicioso"
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Por Fábio Estevam - Por entender a necessidade de se interromper o que ele define como “ciclo vicioso”, um dos delegados plantonistas de Jundiaí, Rodrigo de Lima Leite Carvalhaes enviou à Justiça uma espécie de súplica para que dois homens presos em flagrante por furto de objetos metálicos, na noite desta terça-feira (17), em Jundiaí, não fossem soltos durante audiência de custódia nesta quarta-feira (18), mas sim, tivessem a conversão do flagrante, em prisão preventiva, e desta forma permanecessem encarcerados durante andamento de inquérito.

Em sua representação, em forma de apelo, Carvalhaes justificou explicando que uma das formas de conter o avanço da criminalidade, especialmente no tocante a furtos de objetos metálicos, é impedir que o preso retorne às ruas e reincida no crime com o objetivo de vender o produto do furto para comprar drogas, completando, assim o ciclo vicioso (prende num dia, solta no outro, e o criminoso volta a furtar para comprar entorpecentes).

Em seu apelo, Carvalhaes explicou: “A prisão, portanto, é imprescindível para se garantir a ordem pública. “A quantidade de crimes de furtos de objetos metálicos é extremamente alarmante e está em plena ascensão, sendo certo que seus autores invariavelmente buscam vender esses produtos para comprar entorpecentes, ocorre que em liberdade voltam a praticar os mesmos ilícitos em busca de recursos para adquirirem novamente drogas de alto poder viciante, especialmente crack, em uma espécie de ‘ciclo vicioso’, que precisa ser interrompido. Ressalta-se que, embora objetivamente esses pequenos furtos não sejam revestidos de especial gravidade, quando analisados em conjunto se tornam extremamente prejudiciais à ordem pública. Isso porque enquanto esses criminosos acreditam que sempre permanecerão impunes, ou, na pior das hipóteses, serão soltos na audiência de custódia, a população passa a ter a falsa sensação de que pequenos furtos não ensejam atuação estatal. Diante do exposto, representa este delegado de polícia pela decretação de prisão preventiva em desfavor dos investigados, já que qualquer outra medida cautelar diversa da prisão restará infrutífera. Ademais, a medida é necessária e adequada à gravidade do crime praticado, às circunstâncias do fato e às condições pessoais do indiciado”.

Ao Jornal de Jundiaí, apesar do pedido feito e do entendimento pela prisão, o delegado também considerou. “Esclareço que, eu mesmo, embora seja favorável à segregação, deixo de realizar a prisão em alguns casos, especialmente quando tenho flagrantes mais importantes para fazer. Em resumo, gosto de atuação mais rígida da polícia, mas entendo que muitas vezes a questão é essencialmente de saúde pública e o flagrante não traz resultados positivos.”

PRESOS
O pedido surtiu efeito e, na manhã desta quarta-feira, em audiência de custódia, os dois homens - presos por guardas municipais por furto de grades de ferro de um terreno pertencente à Prefeitura de Jundiaí, na rua Irmã Inês de Jesus, na Vila Rio Branco -, tiveram o flagrante convertido em prisão preventiva e foram encaminhados ao Centro de Detenção Provisória (CDP).

Durante a audiência de custódia, a Justiça também acompanhou outro requerimento de prisão preventiva feito por Carvalhaes, para um homem preso por furto, em Louveira, na noite desta terça-feira. Ele também foi para o CDP.


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