Polícia

Virada Cultural no Centro de SP tem arrastões, roubos e ao menos seis esfaqueados

Além dos furtos, ocorreu também uma série de brigas durante as apresentações


A volta neste final de semana de um dos maiores eventos culturais do país, a Virada Cultural de São Paulo, foi manchada pela série de relatos de violência na região central da capital com arrastões, roubos e pelo menos seis vítimas esfaqueadas perto do local dos shows.

O primeiro caso de esfaqueamento, isolado, foi registrado já na noite do sábado (28) para a madrugada de domingo (29). Já no domingo, as polícias Militar e Civil registraram uma briga com cinco vítimas de facadas também nos arredores dos shows no vale do Anhangabaú.

Ao menos quatro arrastões foram comunicados às polícias Militar e Civil de São Paulo na noite de sábado e na madrugada de domingo nos lugares onde foram montados os palcos e nas vias de acesso a eles, como as avenidas São João e Ipiranga e o viaduto do Chá.

O clima de insegurança ficou tão grande em determinados momentos que chegou provocar a interrupção do show do funkeiro Kevinho, que se apresentava no vale do Anhangabaú. Além dos furtos, também pesou na paralisação do espetáculo a série de brigas que pipocavam a todo momento no público.

De acordo com a polícia, dois homens foram presos, e três adolescentes, apreendidos sob a suspeita de participação nos furtos de celulares nos shows na região central. Parte foi flagrada por PMs e parte por equipes da guarda municipal.

As vítimas relataram que estavam filmando os shows quando os suspeitos passaram esbarrando, enquanto um deles dava o tapa para tirar o celular. Outras informaram que não perceberam os aparelhos sendo levados e só se deram conta quando os objetos já estavam em poder dos policiais.

Além desses casos, outro suspeito foi preso em flagrante por roubo após levar os óculos de um homem que deixava a Virada Cultural no centro. Segundo a vítima, o criminoso pediu dinheiro a ele e, com a recusa, o homem pegou o objeto e saiu correndo.

A vítima chegou a localizar o ladrão momentos depois, em frente ao Bar Brahma, no cruzamento das avenidas São João e Ipiranga. Ao tentar recuperar o aparelho, porém, ela foi agredida. O suspeito foi detido, então, pelos seguranças do estabelecimento e entregue à polícia.

De acordo com integrantes da cúpula da segurança pública, outros crimes devem ser registrados ao longo do dia ou dos dias -o que deve elevar a quantidade de registros. Isso por que parte das vítimas percebe o furto só depois ou prefere registrar pela internet em casa, com dados em mãos.

O caso mais grave registrado pela Polícia Militar foi de um homem, não identificado, que foi esfaqueado na região do largo do Paissandú. De acordo com a porta-voz da PM, a tenente Beatriz Miscow, os motivos desse crime ainda não estão claros -se foi uma tentativa de roubo ou uma briga.

A Polícia Civil registrou a morte de um homem a facadas durante uma briga no final da noite de sábado, na rua Guaianazes, nos Campos Elíseos. O caso não teve, porém, segundo os policiais, ligação com a Virada Cultural.

Durante as confusões que levaram à paralisação do show de Kevinho, a reportagem não presenciou nenhuma tentativa de intervenção das forças de segurança, que na área de shows era feita prioritariamente feita por equipes da Guarda Civil Metropolitana, a GCM.

Procurada, Prefeitura de São Paulo informou que a Guarda Civil Metropolitana reforçou o policiamento na região central da cidade por causa dos episódios ocorridos no vale do Anhangabaú. Segundo o governo municipal, 540 agentes da GCM com 176 viaturas à disposição monitoram o evento, além de outras 15 viaturas da Inspetoria de Operações Especiais, a Iope.

Quanto às queixas do público em relação à possível omissão dos agentes de segurança, a prefeitura informou por meio de nota que toda denúncia seria apurada com rigor.

De acordo com a PM, no entanto, não chegou até a manhã deste domingo nenhuma reclamação ao comando da corporação sobre eventuais abusos ou irregularidades no trabalho de policiais militares na virada.

A PM destacou 1.400 homens para reforçar a segurança da cidade durante os dois dias de eventos da Virada Cultural. Desse contingente, cerca de 600 deles, ou 43%, para a região central. O centro da cidade vive dias de tensão com as ações policiais e da prefeitura que espalharam os usuários de crack.

O número de PMs neste ano é menor do que em 2019, quando foram destacados 2.300 agentes. Segundo a porta-voz, essa redução ocorre por causa redução de estimativa de público no evento pela prefeitura -de 5 milhões para 2 milhões.


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