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CASO LARA Polícia finaliza inquérito e indicia suspeito por assassinato e ato libidinoso

O inquérito foi finalizado com mais de 300 páginas e quase 170 horas de imagens de monitoramento


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Lara foi morta após ser raptada na rua e levada para o carro do criminoso; teve testemunha ocular
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Por Fábio Estevam - A Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Jundiaí concluiu o caso do homicídio de Lara Maria do Nascimento, de 12 anos, morta em março deste ano, em Campo Limpo Paulista. Pelas provas coletadas, com depoimentos, imagens de monitoramento e resultados de diversos laudos, a Polícia não tem dúvidas de que o homem identificado como principal suspeito do assassinato é, de fato, o autor do crime.

A fuga dele, inclusive, após ter negado por telefone envolvimento no caso, também foi relatado no inquérito encaminhado ao Fórum, como fator corroborativo para a conclusão por seu indiciamento não apenas por homicídio qualificado, mas também por ato libidinoso. Para o delegado Rafael Diorio Costa, a forma como a vítima é capturada pelo criminoso, com base em imagens de câmeras de monitoramento e no depoimento de uma testemunha ocular, a agarrando por trás, levam a crer que ele a pegou para estuprá-la, mas, diante de alguma adversidade, acabou por matá-la para ocultar o que havia tentado fazer.

O inquérito, que reúne imagens, depoimentos e mais uma série de informações, foi encerrado com mais de 300 páginas. Somente de filmagens, conseguidas em comércios, casas e prédios públicos, são quase 170 horas de gravações.

A conclusão, que já está nas mãos do Ministério Público, teve 47 páginas. “Esgotamos todos os meios disponíveis pra esclarecer esse caso, com coleta de informações, depoimentos, imagens e investigação de campo. A fuga do investigado também corroborou para nossa conclusão e pelos indiciamentos”, disse Diorio.

Credito: Divulgação / Descrição: Para Diorio, todas as provas coletadas durante as investigações recaem sobre o homem identificado como suspeito de ser o autor do crime

Também ficou esclarecido que o homem indiciado, foragido, com mandado de prisão temporária em aberto, não tinha relação com a família. “Pelo menos até agora, a família nunca o reconheceu por nenhum evento anterior. E pelas imagens, nota-se que ele não estava exatamente atrás da Lara, mas de alguma vítima, que aconteceu de ser ela”, falou o delegado. Nas imagens, inclusive, o criminoso estaciona o carro e, quando ela passa retornando da mercearia onde havia ido comprar refrigerante, ele a para iniciando uma conversa. Segundos depois ela se afasta e corre, sendo perseguida por ele por cerca de cinco metros, até ser pega e arrastada para o carro.

Portanto, ainda de acordo com o delegado, “durante as declarações e depoimentos, com cruzamento sincronizado de imagens de monitoramento, chegou-se a conclusão que os indícios veementes de autoria do crime recaem sobre o indiciado”, disse ele.

E completa. "Tais análises técnicas se alinham ao depoimento das testemunhas do dia do fato, além de relatório realizado através de cães farejadores, que constataram o odor da vítima”.

Agora caberá ao Ministério Público ‘abraçar’ o inquérito para iniciar os tramites processuais que o levarão ou não acusação ou não do indiciado e seu julgamento, ou se pedirá mais laudos ou provas. Enquanto isso, está a cargo do Departamento de Operações Policiais Estratégicas (Dope), de São Paulo, capturar o indiciado.

POR DUAS VEZES, QUASE PRESO
A DIG esteve por duas vezes perto de prender o principal suspeito do assassinato e de crime sexual contra a criança. A primeira delas ocorreu no dia 24 de março, mas, de acordo com o delegado, 'a divulgação feita por uma rede de televisão, das imagens do carro do suspeito, no dia 21, prejudicou nosso trabalho porque precisávamos identifica-lo antes dessa divulgação. Quando conseguimos e entramos em contato, por telefone ele negou o crime. No dia seguinte, já havia desaparecido. Nós também temos no inquérito, mensagens de áudio em que ele comunica a parentes, logo após essa situação, que não iria se entregar”.

RELEMBRE O CASO
Pouco antes do meio-dia de 16 de março deste ano, Lara saiu de casa para ir a uma mercearia no bairro onde morava, a alguns metros de sua casa, para comprar refrigerante. Por conta da demora em retornar, os pais foram até a mercearia e descobriram que ela havia passado por lá; esta, então, foi a última vez que Lara foi vista.

A partir de então policiais de Campo Limpo Paulista e da DIG passaram a investigar. Dois dias depois o corpo dela foi encontrado com marcas de violência. De acordo com o laudo, ela morreu devido a um traumatismo craniano causado por ao menos quatro golpes na cabeça.
Durante as investigações, um carro suspeito foi identificado, cujo condutor, morador em Francisco Morato, também foi identificado. Ele chegou a conversar com policiais, durante diligências. Após isso, ele desapareceu.

DESPEDIDA
Com o esclarecimento do crime, o delegado Rafael Diorio Costa se despede da DIG. Ele agora vai assumir a titularidade da delegacia de Várzea Paulista, a segunda maior cidade em população da região da Seccional de Jundiaí. Para seu lugar, como assistente na DIG, retorna o delegado Carlos, que estava em Várzea.


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