Polícia

A cada seis horas e meia uma mulher é agredida em Jundiaí


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Crédito: Reprodução/Internet
A cada seis horas e meia uma mulher é agredida em Jundiaí, ou seja, quase quatro mulheres são vítimas de violência doméstica todos os dias na cidade. Os números são uma análise da reportagem, com base em um levantamento feito pela Secretaria de Segurança Publica (SSP), a pedido do Jornal de Jundiaí, que apontou que 213 casos de violência doméstica ocorreram no município em apenas dois meses (de 1º de fevereiro e 31 de março). A maioria dos casos ocorreu em bairros com vulnerabilidade social. Os números mostram que o Jardim Novo Horizonte é o bairro "campeão" em ocorrências com 17 mulheres agredidas em apenas 60 dias, segundo por São Camilo e Santa Gertrudes, com 10 e Jardim Tamoio (9). Bairros como Vila Nambi, como oito casos e Vila Maringá também fazem parte da lista de localidades em que os casos de agressão foram parar na Delegacia de Defesa da Mulher (DDM). GM Para a guarda municipal Andreia Aparecida de Melo Pontes, coordenadora na cidade do Programa Patrulha Guardiã Maria da Penha, do Ministério Público e operado pela Guarda Municipal, diz que os números condizem com a realidade vivida no dia a dia. "A violência doméstica é democrática e não escolhe um grupo social, atingindo todas elas, todas as idades, cor, raça... Mas no dia a dia observamos que nas periferias existe sim um número maior, sobretudo com relação à dependência ou a questão dos filhos. A mulher muitas vezes se sujeita a permanecer no ambiente com o agressor por causa dessa dependência, por causa do filho", disse ela. O levantamento ainda mostra que só no mês de março foram registradas 132 ocorrências. O número representa um aumento de 6,4% em relação ao mesmo período do ano anterior. Para Andreia, há duas formas de enxergar esses números. "As ocorrências registradas estão aumentando e isso é preocupante. Por outro lado, também é fato que as mulheres estão sendo encorajadas e procurarem ajuda aos órgãos de defesa, como a polícia", disse ela. Social Mariana Janeiro, filósofa e fundadora da Rede Valentes (um grupo de formação, orientação e acolhimento de mulheres), também comentou sobre os números e também atribui parte da questão da violência doméstica à vulnerabilidade social. "No Brasil todo, os índices de violência de gênero, especialmente a violência doméstica, vem numa perigosa crescente no último ano. Em parte, é porque as mulheres estão denunciando mais (então os números aparecem). Outra parte e que não podemos deixar de fazer a ligação é o discurso misógino e violento do governo. Discursos assim dão autorização para homens serem violentos e praticarem todo tipo de ato machista contra suas companheiras, infelizmente. O Brasil é um país fundamentalmente machista e patriarcal, ou seja, com homens comandando suas famílias e mulheres e, ainda que o movimento feminista tenha conseguido inserir o debate de papéis de gênero e violências de gênero na sociedade com muito sucesso, ainda estamos muito longe de uma redução real dos números dessas ocorrências, como os números mostram", disse ela. Sobre a questão da vulnerabilidade, ela comentou. Sim, a vulnerabilidade social tem ligação direta com os casos de violência doméstica. Pobreza e exclusão social, por si só, são grandes marcadores de violência. Não seria diferente nas violências de gênero, especialmente na violência doméstica. Quando temos uma mulher dependente financeiramente do marido que, por sua vez ganha pouco e vive sob estresse, a chance deste homem descontar sua frustração nessa mulher é muito grande, justamente ela se depende financeiramente dele e não consegue sair desta situação. Mas é importante frisar que não é apenas em lares pobres que a violência doméstica acontece. Machismo ainda não escolhe classe social e é importante frisar que a grande maioria das mulheres agredidas em violência doméstica é negra, justamente pela condição social onde a maioria está: a de pobre".

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