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Acusado de assassinar vendedora é suspeito por sumiço de açougueiro

GERALDO DIAS NETTO | 31/08/2018 | 05:05

Preso pela morte da vendedora Maria Cristina Franco Schimidt, de 39 anos, encontrada no porta-malas de um carro incendiado no dia 11 de julho deste ano, em Morungaba, o comerciante Wilson de Jesus Neves Junior, 41, também é o principal suspeito pelo desaparecimento do açougueiro Telesforo José de Meneses, 44, visto pela última vez no dia 14 de fevereiro deste ano.

Reportagem desta quinta-feira (30) do Jornal de Jundiaí (veja mais nesta página) revelou detalhes das investigações que levaram comerciante, conhecido como “Português”, à prisão, decretada pelo Poder Judiciário a requerimento da Delegacia de Investigações Gerais (DIG).

No dia 12 de março passado, buscas foram feitas pela Polícia Civil e Guarda Municipal em uma vasta área de mata existente nas proximidades do local de trabalho do açougueiro, de propriedade do comerciante. Wilson de Jesus. Segundo Almir de Oliveira, investigador-chefe da DIG, cheiro forte que indicaria a existência de um cadáver fez com que até mesmo cães farejadores fossem empregados.

Toda a extensão de mata foi percorrida, até que os agentes conseguiram identificar o ponto de origem de forte odor. De acordo com os policiais Gigio e Júlio, da equipe Apolo 3 da DIG e responsáveis pelas investigações, não se tratava de um corpo, mas sim de um bode morto, já em adiantado estado de putrefação.

Conforme relato de parentes aos policiais da Apolo, informações deram conta de que, antes de desaparecer, Telesforo teria discutido com “Português”. “Disseram que, depois da briga, que foi bastante feia, ele pegou sua moto, uma XTZ 250, e foi embora. Mas não voltou para casa e nunca mais foi visto”, contou Gigio.

Já de acordo com o investigador Júlio, os familiares garantiram que o açougueiro nunca desapareceu anteriormente, não faz uso de drogas ou álcool e não sofre de problemas psicológicos. “Comentaram que ele é uma pessoa bastante amorosa e ‘família’, que faz questão de não levar problemas para casa”, disse.

Os policiais da Apolo 3 informaram que já conseguiram indícios suficientes para indiciar “Português”. Eles contaram que devem em breve ouvi-lo em depoimento, e que sua recolha atrás das grades deve ser reforçada com novo pedido de prisão feito pelo delegado titular da DIG, Luís Carlos Duarte.

Vendedora foi achada em carro

Segundo apuração da Delegacia de Investigações Gerais (DIG), Wilson de Jesus Neves Junior teve participação direta na morte da vendedora Maria Cristina Franco Schimidt, vendedora em uma tabacaria e achada no porta-malas do veículo da empresa, um Uno, que foi incendiado.

Com outro homem, identificado como “Lukinha”, eles teriam rendido Maria Cristina e a levado até uma estrada de terra, onde cometeram o assassinato. Para tanto, utilizaram uma picape Peugeot, modelo Hoggar, de cor prata, que venderam a um outro homem em uma feira de rolo, em Campinas, por R$ 4,5 mil.

De acordo com policiais da Apolo 2 (Ricardo, Rodrigo e Eduardo), responsáveis pela elucidação do caso, o comprador do carro auxiliou na identificação da dupla, dizendo, em depoimento na DIG, ter percebido que um deles apresentava ferimentos nas mãos e no rosto provocados por queimadura.

Maria Cristina guiava o veículo da empresa, que era monitorado, quando desapareceu. Foi possível apurar seu último paradeiro a partir de uma nota fiscal que ela emitiu naquele mesmo dia, por volta das 15h15.  Pelo trajeto que o veículo fez, entregue em relatório pela empresa à DIG, a Apolo 2 resolveu percorrer o mesmo caminho, encontrando em diversos pontos câmeras que poderiam auxiliar na investigação.

Apesar de “Português” negar a participação no crime, os policiais apuraram que ele e vendedora tiveram uma discussão em razão de dívidas feitas pelo acusado por conta da compra de cigarros. Eles explicaram que o comerciante costumava vender cigarros contrabandeados do Paraguai e resolveu adquirir da tabacaria para quem Maria Cristina trabalhava. Por conta das dívidas que começou a ter, resolveu matar a mulher de maneira extremamente cruel.

“Lukinha”, informaram os policiais, teria ajudado a colocar fogo no carro, razão pela qual sofreu as queimaduras nas mãos e no rosto. Eles, contudo, aguardam ainda a conclusão de uma diligência para indicar no inquérito policial toda a dinâmica da participação do comparsa no brutal assassinato.

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