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Casos de estupro de vulnerável aumentam 25% em Jundiaí

BÁRBARA NÓBREGA MANGIERI | 19/10/2018 | 06:00

A quantidade de estupros cometidos contra menores de 14 anos – registrados como estupro de vulnerável – aumentou 25% em Jundiaí entre os primeiros oito meses de 2017 e 2018. Segundo a Secretaria de Segurança Pública (SSP), foram registrados 35 casos de janeiro a agosto de 2017, enquanto o mesmo período de 2018 já registrou 44 ocorrências na cidade. Apesar disso, o número de crianças e jovens acolhidos na cidade caiu 40%.

O aumento de casos noticiados de crianças brutalmente agredidas por seus familiares e parentes também contribui para a sensação de que a violência contra crianças está aumentando. Um menino de apenas um ano de idade foi parar na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) na semana passada após ter sido espancado pelo namorado da mãe.

Segundo as informações do Boletim de Ocorrência, ela teria recebido imagens das agressões por telefone e viu o filho convulsionar nos dias seguintes à agressão, mas só o levou ao hospital depois, quando teve uma parada cardíaca e foi descoberto um traumatismo craniano na criança.  Esta semana, outro homem foi preso por agredir a própria neta com um cano, logo após ameaçar a própria esposa de morte com uma faca. A agressão fez a menina de apenas cinco anos perder os sentidos e ser levada ao Hospital Universitário.

Não há estatísticas específicas sobre violência contra crianças e adolescentes. Entretanto, o juiz da Vara da Infância e Juventude de Jundiaí, Jefferson Barbin Torelli, admite ter uma sensação de aumento desse tipo de crime, mas diz não possuir dados que comprovem um crescimento nos casos. “Pode ser que, com a conscientização, as pessoas passem a denunciar mais, e não que mais crianças estão sendo violentadas”, pondera.

A reportagem tentou fazer um levantamento dos casos atendidos pelos Conselhos Tutelares de Jundiaí, para mensurar a situação atual da violência contra crianças e adolescentes na cidade. No entanto, os três órgãos – apesar de serem públicos – decidiram, coletivamente, não ceder informações à imprensa. Um dos conselheiros justificou a decisão citando a repercussão negativa do caso recente da criança espancada pelo namorado da mãe, citado acima.

Vale destacar que os conselhos tutelares são órgãos independentes e respondem ao Conselho Municipal dos Direitos da Crianças e do Adolescente. Entretanto, cada conselheiro ganha R$ 6.273 mensais e os valores são repassados pela Prefeitura de Jundiaí.

Os dados mais recentes são de 2017 e foram publicados em fevereiro deste ano pelo Jornal de Jundiaí. De acordo com a reportagem da época, os três conselhos realizaram, no ano passado, 4.374 atendimentos. O levantamento não inclui os plantões e ocorrências externas, que não foram computados nas estatísticas. As principais ocorrências são relacionadas a maus-tratos, negligência e violência – física, psicológica e sexual.

A reportagem apurou que está em desenvolvimento um projeto de padronização de dados nos conselhos tutelares, junto à prefeitura, para que se possa fazer uma análise das denúncias registradas. “Dessa forma será possível analisar quais tipos de violência contra crianças estão sendo mais praticados ali. Isso facilitaria o desenvolvimento de ações de prevenção específicas”, revela a diretora de Proteção Social Especial, Ariane Goim Rio.

Acolhimento
Uma funcionária da Casa Transitória confessou à reportagem ter percebido um leve aumento, nos últimos seis meses, de crianças acolhidas devido a casos de abuso sexual. Ainda assim, a Unidade de Gestão de Assistência e Desenvolvimento Social (UGADS) afirma que houve uma redução de 40% no número de crianças e adolescentes acolhidas este ano em comparação ao ano passado.

A Casa de Nazaré e a Casa Transistória mantêm, juntas, 80 vagas de acolhimento. Outras 15 crianças utilizam o serviço de Família Acolhedora para crianças em situação de violência. Os motivos que mais geraram acolhimento institucional e familiar em 2017 e 2018 foram casos de negligência ou ligados ao uso de álcool e outras drogas por parte dos pais.

Este dado levou a UGADS a desenvolver um edital – que será divulgado em breve – convidando instituições sociais a apresentarem projetos que trabalhem com usuários de drogas e seus familiares. “Esperamos que este projeto, junto às atividades desenvolvidas pelos Centros de Referência de Assistência Social e à padronização de dados dos conselhos tutelares, ajudem na prevenção de mais casos de violência contra a criança”, diz Ariane.

Foto: Jornal de Jundiaí

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