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Comandante da GM vai pedir reforço de efetivo para a Patrulha Maria da Penha

Fábio Estevam | 24/01/2020 | 05:05

Idealizada pelo Ministério Público (MP) e implantada na Guarda Municipal de Jundiaí por meio de convênio, a Patrulha Guardiã Maria da Penha completa neste mês de janeiro seis meses de atuação na cidade. Responsável por fiscalizar o cumprimento de medidas protetivas, dando suporte e segurança às mulheres vítimas de violência dos mais variados tipos, a equipe começou atendendo a 23 mulheres no dia 15 de julho de 2019, todas via acionamento do MP, e hoje atende a 115 – o número acumulado de atendimentos, porém, passa de 130, já que algumas deixaram de ser atendidas por terem se livrado do ciclo de violência que as ameaçava.

Do início das operações do projeto até dezembro, 20 infratores foram presos em flagrante após as vítimas terem acionado o programa denunciando a aproximação do agressor. Para a coordenadora do programa, a GM Andreia Aparecida de Melo Pontes, os números são satisfatórios e comprovam a sua eficácia.

A continuidade do bom andamento, porém, depende do aumento do seu efetivo, já que os quatro guardas que cuidavam das 23 mulheres no início das atividades, são os mesmos que hoje “tomam conta” de mais de 100. “Para aquele começo era o suficiente. Hoje já não é mais”, disse Andreia.

Por conta dessa defasagem, o comandante da corporação Benedito Marcos Moreno já articula o reforço do grupo. “Terei uma reunião com o prefeito (Luiz Fernando Machado) no início de fevereiro para pedir aumento do efetivo para a corporação, já que perdemos guardas por aposentadoria ou mesmo que faleceram. A prioridade agora é realmente a Patrulha Maria da Penha, que está sendo muito bem sucedida e requer esse reforço com base no aumento do número de casos atendidos. Precisamos sim reforçar o programa”, disse ele.

Até dezembro, último levantamento feito por Andreia, haviam sido feitas 124 entrevistas com vítimas que conseguiram medida de proteção na cidade. Neste contato a assistida passa características do agressor, modelo, cor e placa do carro dele, bem como horários em que possivelmente ele possa tentar algo contra ela; também foram realizadas 544 rondas, em que a viatura apenas passa nas proximidades da casa da vítima para fiscalizar se o agressor está por perto; e 443 visitas, em que, além da ronda, os GMs Pontes, Durães e Carvalho, além de Andreia batem à porta da vítima para conferir se está tudo bem com ela.

Mais que agente da lei
A ferocidade policial do guarda que participa da Patrulha Maria da Penha, quando de sua vontade em defender a vítima protegida por ele, se transforma em beneficência quando esta vítima chora suas dores. “Nessa hora nós a escutamos e damos todo o apoio. Muitas choram, têm medo, sofrem por estar passando por tudo aquilo. Nós a deixamos chorar e a acalmamos. Nossa chegada para elas é sempre um alívio”, comentou Andreia.

E completa. “Muitas que conseguem a medida e que já ouviram falar sobre como funciona a Patrulha, ficam felizes e surpresas quando chegamos. Elas nos abraçam e se dizem satisfeitas com o programa.”

“Algumas inicialmente dizem que não querem atendimento. Mas depois que explicamos como funciona e ela será beneficiada sempre acabam aceitando. O índice de rejeição é mínimo e o retorno é gratificante, principalmente por saber que estamos ajudando aquela mulher”, comemorou ela.

Referência
Cada vez mais robusta, sendo referência inclusive para outras cidades que procuram saber como tem sido o andamento do programa em Jundiaí para também pleitearem junto ao MP, a Patrulha também tem sido buscada por mulheres que não conseguiram medida protetiva contra seus algozes.

“Muitas mulheres ligam aqui na Guarda para pedir informações, outras nos visitam, pedem orientação. E mesmo que não tenham sido encaminhadas pelo MP, nós não deixamos de atender. Esse também é nosso dever. Então nós damos a orientação necessária para que ela fique segura”, falou Andreia.

Ela lembra que a violência contra a mulher não é só física. “Ela é moral, psicológica, patrimonial e sexual. E isso apenas falando em violência doméstica. Mas existem muitas outras formas de violência contra a mulher. Todas as mulheres no mundo já sofreram de algum tipo de violência em sua vida”.


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