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Criminalidade reduz em Jundiaí, mas furtos aumentam

VINICIUS SCARTON | 08/01/2019 | 05:00

Com queda em crimes de grande periculosidade, dados da segurança pública de 2017 apontam que os furtos em Jundiaí estavam acima da média do estado. Enquanto a cada mil habitantes havia 11,7 furtos praticados em Jundiaí, no estado de São Paulo esse número era de 11,4. Dados preliminares de 2018 apontam redução deste percentual, mas ainda não foram fechados até dezembro.

Para o presidente do Conselho Comunitário de Segurança (Conseg Japy – Vetor Oeste), Dirceu Cardoso, o número de furtos sobe por conta das oportunidades geradas e também pela falta da cultura de prevenção. “Onde não há um controle de monitoramento, os casos de furtos acabam sendo mais comuns. Portanto, as pessoas devem estar sempre atentas”, alerta.

Além disso, Cardoso reforça a importância de registrar o Boletim de Ocorrência. “Por meio do registro é possível gerar dados e estatísticas e a Polícia pode realizar o trabalho de investigação, analisar e elaborar planejamento e ações estratégicas, bem como, saber se a criminalidade aumentou ou diminuiu naquela localidade”, comenta.  O presidente do Conseg Japy lembra, ainda, que a população pode registrar o Boletim de Ocorrência, através da internet e agilizar o processo pelo site: www.delegaciaeletronica.policiacivil.sp.gov.br/ssp-de-cidadao/home.

O furto se caracteriza pela apropriação de objeto alheio sem consentimento e sem interação com a vítima e foi justamente o que ocorreu em alguns estabelecimentos no centro da cidade. Gerente de um mercado, Iolanda de Brito Oliveira conta que o mês de setembro de 2018 foi muito complicado, devido aos inúmeros casos de furtos no estabelecimento. “Em cinco oportunidades o mercado foi furtado pelo mesmo indivíduo, que levou de tudo, desde salgadinho, perfumes, até sorvete”, recorda.

Segundo Iolanda, o criminoso sempre agiu no período noturno. “Foi um período complicado. Em apenas uma semana, o indivíduo furtou meu estabelecimento três dias seguidos”, diz. A gerente ressalta que no final de 2018 e princípio de janeiro não houve novos casos. “Mas não estou aliviada, pois o autor dos furtos está solto e sigo insegura”, diz.

Já a proprietária de uma loja de moda masculina, Andréia Aparecida Bispo Barbosa, conta que no dia 6 de setembro do ano passado o seu estabelecimento foi alvo de furto. “O indivíduo chegou a furtar um celular, além de camisas, sapatos e calças. No entanto, para fugir da polícia ele acabou deixando as peças de roupas em um imóvel próximo, mas conseguiu levar o celular”, descreve. Andréia considera a situação um verdadeiro descaso. “O autor do crime acaba sendo protegido pela lei e está solto. Quem ficou com o prejuízo fui eu, que trabalho e pago meu impostos”, desabafa.

Questionada sobre os índices de furtos em Jundiaí, a Polícia Militar explica que a média do índice de furto é menor no Estado, pois as cidades pequenas, com baixo índice de furto, puxam o indicador do Estado para baixo. “O ideal seria a comparação do comportamento do crime, ou seja, ao observarmos os dados da Secretaria de Segurança Pública, de 2012 a 2015, tanto a cidade de Jundiaí quanto o Estado de São Paulo apresentam queda nos índices; em 2016 este índice tem um pequeno aumento, apresentando novamente queda em 2017”, diz em nota

E informa que realiza diuturnamente o policiamento ostensivo preventivo por meio dos programas disponibilizados pelo 11º Batalhão de Polícia Militar do Interior, como o radiopatrulhamento, a Ronda Escolar, bem como os programas de Força Tática, rondas com motocicletas e o policiamento com bicicletas, empregados com eficiência, principalmente na região central, onde há um grande fluxo de pessoas.

Também em nota, a Secretaria de Segurança Pública informa que as polícias Civil e Militar realizam ações conjuntas para combater a criminalidade em Jundiaí, especialmente os crimes contra o patrimônio. De janeiro a novembro de 2018, os furtos apresentaram queda de 3,35% em comparação ao mesmo período do ano anterior. Nos últimos três meses de 2018, a Polícia Civil esclareceu 126 casos de furtos ocorridos na cidade, com prisão em flagrante de 19 autores.

DEPENDÊNCIA
Diversos casos relacionados a este tipo de crime são relacionados a dependência química, quando indivíduos furtam objetos e trocam por entorpecentes. A psicóloga clínica Gabrielle Marques explica que essa junção trágica acontece por fatores biopsicossociais, uma vez que o sistema neurológico é gravemente afetado pelo uso de substâncias. “Derrubando, muitas vezes, algumas barreiras neurológicas que deixam as pessoas sensíveis ao ambiente externo e ao outro”, diz. Gabrielle detalha que o uso de substâncias, via de regra, servem como fuga ou alívio para alguma situação que o indivíduo tem dificuldade de lidar. “Além da motivação econômica, tanto o uso, como os furtos, também podem ser incentivados e fortalecidos pelo ambiente social em que o indivíduo está envolvido”, resume.

Rui Carlos

Rui Carlos


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