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DDM começa ano com aumento de 56% nos casos de violência

BÁRBARA NÓBREGA MANGIERI | 30/01/2019 | 05:00

A Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Jundiaí registrou 221 ocorrências nos primeiros 29 dias de 2019. O número é 56,7% maior que os casos atendidos em janeiro de 2018 (141). Sem contar os casos subnotificados, são sete mulheres por dia sofrendo agressões físicas, psicológicas ou sexuais – e o ano acaba de começar.

O tipo de crime mais denunciado na DDM é o de violência moral ou psicológica, que teve 97 ocorrências registradas este ano, ante 70 no mesmo período do ano passado, um aumento de 38%. São atitudes aparentemente inofensivas, como criticar as roupas, controlar os lugares onde a mulher vai, demonstrar ciúmes excessivo e, às vezes, até fazer ameaças. “Quando o companheiro mina a autoestima da mulher e demonstra comportamento controlador e ciumento, é um sinal vermelho de que aquele relacionamento pode ser abusivo”, alerta a delegada da DDM, Renata Yumi Ono.

No dia a dia, as críticas à beleza, à inteligência e à independência da mulher vão fazendo com que ela acredite que não tem mais valor para ninguém, a não ser para o agressor. Frases como ‘ninguém mais vai te querer’ são comuns neste tipo de relação. “Normalmente, a fase seguinte é a violência física”, revela a delegada. Foram 67 casos desse tipo de agressão este ano, comparados a 35 no primeiro mês de 2018, um aumento de 91%.

Já a violência sexual, que inclui estupro, ato obsceno e importunação sexual, aumentou 75%, com 4 casos registrados pela DDM em janeiro de 2018 ante sete no mesmo período deste ano. Em 2019, porém, nenhum caso de estupro foi registrado por enquanto.

Já os feminicídios começaram a aparecer cedo em 2019. No país todo, 107 mulheres foram mortas ou sofreram tentativa de feminicídio nas três primeiras semanas do ano. Mais da metade dos crimes aconteceu entre sexta-feira e domingo, dias em que as delegacias da mulher costumam ficar fechadas. O levantamento foi feito por um professor da USP com base no noticiário nacional.

Em Jundiaí, não houve nenhuma ocorrência em janeiro de 2018, mas um caso chocante já foi registrado este ano: a jovem Nicole Guimarães Sapucci, morta pelo namorado dentro de uma cela no Centro de Detenção Provisória (CDP) de Jundiaí, durante uma visita íntima ao preso, neste domingo (27).

A culpabilização da vítima e o julgamento que pôde ser visto nas redes sociais diante do caso contribuem para que crimes como estes sigam subnotificados. Um estudo da Universidade Federal de Minas Gerais estima que cerca de 35% dos casos de violência contra a mulher não sejam denunciados.

As políticas públicas voltadas para as vítimas também se apresentam como um dos desafios no combate à violência contra a mulher, segundo a delegada Renata. “Adequar as leis e o sistema de Justiça às necessidades de determinada vítima é muito difícil, pois muitas estão em situação de vulnerabilidade social e financeira”, diz. O cenário faz com que muitas mulheres desistam ou tenham medo de buscar ajuda e sair do ciclo de violência. “A decisão da vítima é influenciada por esses fatores”.

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