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DDM conquista prisão preventiva para homem que engravidou a própria filha

GERALDO DIAS NETTO | 05/11/2018 | 20:20

Policiais da Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Jundiaí cumpriram nesta segunda-feira (5) mandado de prisão preventiva contra o homem de 47 anos que engravidou a própria filha. Da conduta incestuosa, nasceu uma criança, hoje com sete anos. Ele teve a prisão preventiva decretada em setembro deste ano e permaneceu preso desde então. Agora, com a preventiva, deve ficar atrás das grades até o julgamento do processo.

De acordo com a investigadora-chefe Lilian Picchi, ambas as medidas judiciais foram conseguidas pela delegada titular da DDM, Maria Beatriz Curio de Carvalho. Ela explicou que exame de DNA comprovou que o homem é pai e avô da criança, e que os abusos contra a filha, de 27 anos, começaram aos oito anos da mulher. Ela já teria, inclusive, engravidado do pai aos 16 anos, época em que sofreu um aborto.

Ao prestar depoimento, o homem negou os abusos, dizendo que manteve relações sexuais com a filha, a partir dos 15 anos dela, de maneira consentida. Ele chegou a afirmar que achava que a jovem não era sua filha, mas sim fruto de um relacionamento extraconjugal de sua esposa, o que não convenceu o setor de investigações da DDM.

Abrigada em uma casa mantida pela Prefeitura de Jundiaí para vítimas de estupros e outros crimes relacionados à violência doméstica, a jovem decidiu deixar o local para procurar um advogado para o pai assim que soube da decretação da prisão, em setembro. Além dela, o homem é pai de dois rapazes e de outra moça, de 24 anos. Esta última, à polícia, também denunciou uma tentativa de abuso praticado pelo homem quando tinha 13 anos, explicou Lilian.

Pai e avô
Segundo a policial, conforme o apurado pelos depoimentos, quando engravidou a filha aos 16 anos, uma infecção fez a então adolescente perder o bebê e ficar hospitalizada por diversos dias. “Eu sabia que o bebê era do nosso pai”, disse a irmã de 24 anos, que contou ter visto, ao seis, pela primeira vez, o homem beijar a irmã na boca.

Sobre a tentativa de abuso aos 13 anos, contou: “Ele bebeu muito e tomou drogas. Me chamou para deitar com ele, mas eu não queria ir. Ele insistiu muito e eu deitei na frente dele. Ele pegou minha mão e colocou no pênis dele. Eu gritei pela minha mãe, mas minha mãe não acordou e ele me disse que eu não prestava e me mandou para a minha cama.”

Mãe e irmã
Mãe da criança de sete anos, a jovem de 27 anos também prestou depoimento na DDM, causando espanto na equipe de policiais da delegada Maria Beatriz. Segundo ela, o primeiro abuso ocorreu quando tinha oito anos, época em que o pai passava a mão em seu corpo e se masturbava.

“Aos 13 anos, ele me forçou a ter relação sexual com ele. Minha mãe começou a trabalhar em uma cozinha e ela não ficava à noite em casa e meu pai me chamava para ficar na cama dele e abusava de mim.” Segundo ela, o parente não usava camisinha.
“Com 16 anos, eu fiquei grávida dele e escondia a gravidez. A minha criança nasceu e morreu dois dias depois, pois eu estava com infecção muito forte.” Ela afirmou que os abusos continuaram após isso, sempre à noite, no único quarto da casa, dividido pelo casal e os quatro filhos.

“Meu pai usava cocaína e ele ficava muito transtornado. Às vezes, de tão louco de droga, tentava ter relação sexual comigo mesmo sem ereção. Sempre tive muito medo de meu pai e ele não me deixava conversar com ninguém da família”, disse, lembrando da vez que, na escola, foi agredida até em casa depois que o pai a viu deitada com a cabeça no colo de um colega.

Basta
De acordo com a jovem, quando sua filha nasceu, mentiu para a mãe, dizendo que era de um amigo do trabalho que havia sumido. Apenas no ano passado é que decidiu contar a verdade para sua mãe, que se desesperou e mandou o companheiro sair de casa.

“Ele chorou, pediu perdão e deixamos para lá. Achei que ele ia me deixar em paz e, depois disso, por quatro meses não aconteceu nada. Então, começou a pedir de novo para manter relação sexual comigo. Disse que ia me matar, e ele falou que seria coisa rápida e no máximo uma vez por mês. Foi assim até o dia 27 de agosto deste ano”, declarou.

Segundo ela, houve abuso enquanto a declarante estava em período fértil, o que a fez tomar a “pílula do dia seguinte”, temendo engravidar novamente do pai. Após conversar com uma amiga, foi convencida a procurar a polícia para denunciar o parente.

DELEGACIA DA MULHER DDM


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